Abrandamento exige antecipação
A percepção de algum abrandamento no turismo deve levar a Madeira a preparar novas estratégias enquanto a economia continua a crescer, defendeu João Rui Ferreira, secretário de Estado da Economia e orador principal da cerimónia das 500 Maiores e Melhores Empresas da Madeira, no Savoy Palace.
“É muito importante podermos fazer períodos de reflexão e de análise e definir novas estratégias quando estamos numa rota de crescimento, e não esperar que haja uma alteração profunda para mudar”, afirmou, perante uma plateia de empresários.
A resposta, na sua perspectiva, passa por diversificar a economia sem abandonar as actividades tradicionais. O governante apontou oportunidades no agroalimentar, nos vinhos, na economia azul, nos serviços, na logística marítima e no sector digital, incluindo os videojogos.
A Madeira tem, disse, condições para desenvolver estas áreas e alargar a base produtiva regional. No digital, destacou a dinâmica do ecossistema madeirense e a participação de um consórcio com origem no Funchal numa agenda mobilizadora ligada aos videojogos.
João Rui Ferreira enquadrou a diversificação numa estratégia mais ampla para aumentar a competitividade das empresas, reduzir custos de contexto, simplificar os processos com o Estado e reforçar a inovação e a internacionalização. “O Estado deve criar as melhores condições para se desenvolver negócio”, afirmou numa intervenção anterior da mesma cerimónia.
Na negociação do próximo quadro financeiro da União Europeia, o secretário de Estado garantiu que Portugal continuará a defender as regiões ultraperiféricas. A posição, afirmou, deve ter em conta os custos da insularidade e apoiar as condições necessárias ao desenvolvimento económico da Região.
No encerramento, apontou como ambição uma Madeira “mais produtiva, mais diversificada, mais aberta ao mundo”. Para o governante, antecipar mudanças durante um ciclo de crescimento permite preparar a economia antes de uma alteração mais profunda do contexto.