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Madeira

Há 35 anos o DIÁRIO publicava as últimas fotografias de Robert Maxwell em vida

Magnata britânico esteve de férias na Madeira a bordo do seu iate 'Lady Ghislaine' e seguiu para as Canárias a 3 de Novembro de 1991. O seu corpo foi encontrado, dia 5 de Novembro, a flutuar a 20 milhas a sul de Las Palmas

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Foto DN/Arquivo

Curiosamente, o DIÁRIO registou os seus últimos momentos em vida

Robert Maxwell passou pela Madeira em Novembro de 1991, numa viagem de férias pelo Atlântico a bordo do seu iate de luxo, o 'Ghislaine Maxwell'. A presença do multimilionário britânico na Região foi noticiada pelo DIÁRIO, que acompanhou os últimos momentos da sua estadia, antes de seguir viagem para as Canárias.

O que então parecia ser apenas mais uma reportagem sobre a passagem de uma figura internacional pela Madeira viria a adquirir um significado histórico inesperado.

O magnata tinha chegado à Região no sábado, dia 2 de Novembro, depois de embarcar em Gibraltar. Durante a sua estadia, visitou as Ilhas Desertas e deslocou-se ainda ao Casino da Madeira, onde pretendia passar algum tempo na sala de jogo. A entrada, contudo, foi atrasada por um pequeno pormenor. Robert Maxwell não tinha consigo o passaporte, documento indispensável à identificação de cidadãos estrangeiros naquele estabelecimento.

Enquanto aguardava a chegada do documento, permanaceu na esplanada de um restaurante da Estrada Monumental, onde bebeu uma cerveja, sem aparato de segurança e praticamente em anonimato. O passaporte e uma quantia considerável de dólares acabariam por chegar ao seu encontro, trazidos pelo seu empregado, permitindo-lhe seguir para o Casino, onde permaneceu durante uma hora.

Na edição de 4 de Novembro de 1991, o DIÁRIO relatava ainda que o iate, com 15 tripulantes entre marinheiros e pessoal de hotelaria, tinha sido abastecido de combustível durante a manhã de domingo. Pelas 16 horas, o 'Lady Ghislaine' deixou o molhe da Pontinha e seguiu rumo às Canárias, com provável escala em Tenerife. 

O avião particular de Maxwell, um 'Gulfstream Grumman' avaliado em 27 milhões de dólares, acompanhou a deslocação, permanecendo às ordens do proprietário.

Estava também prevista a chegada dos dois filhos do magnata, residentes em Londres, para o acompanharem na viagem. A deslocação acabou por não se concretizar e o Maxwell deixou a Região sem a companhia dos familiares.

A última viagem do magnata

O desfecho desta viagem seria conhecido poucas horas depois e também foi noticiado na edição impressa do dia 6 de Novembro do DIÁRIO.

O iate 'Lady Ghislaine' navegava tranquilamente em direcção a Tenerife quando o comandante da embarcação, Gus Rankin, se apercebeu de que Robert Maxwell não se encontrava a bordo. Depois de tentar contactar o proprietário, sem obter resposta, foi levantada a suspeita de que o magnata teria caído ao mar.

Os tripulantes realizaram buscas no interior e nas várias áreas da embarcação, mas não encontraram qualquer sinal de Maxwell. As autoridades portuárias de Tenerife foram imediatamente alertadas e mobilizaram meios aéreos e marítimos para as operações de busca.

Inicialmente, as operações não produziram resultados, apesar das boas condições meteorológicas. Contudo, durante a tarde, os serviços de socorro marítimo localizaram um corpo sem roupa a cerca de 20 milhas a sul de Las Palmas, junto à ilha de Gran Canária.  A identificação foi confirmada pela esposa do empresário, Elisabeth Maxwell, e pelo filho, Philip. 

A passagem de Robert Maxwell pela Madeira ficou, assim, registada nas páginas do DIÁRIO. As fotografias captadas durante a estadia na Região são consideradas as últimas imagens do magnata britânico em vida, uma vez que morreu no dia seguinte, a 5 de Novembro, quando o seu iate navegava junto às Canárias. 

Recorde a edição impressa de 4 de Novembro de 1991