DNOTICIAS.PT
Mundo

Papa inicia 6ª feira viagem na América Latina sem medidas excepcionais após cancro pulmonar

None

O Papa Leão XIV inicia na sexta-feira uma viagem ao Uruguai, Argentina e Peru, seu país adotivo, a fim de fortalecer a fé católica numa região em expansão evangélica, apesar da recente cirurgia a um cancro do pulmão.

O líder da Igreja Católica, de 71 anos, foi operado há menos de três semanas para remover um tumor pulmonar, mas os médicos afirmam que não necessita de mais tratamentos e autorizam-no a embarcar numa viagem de 11 dias (de 06 a 17 de novembro), que inclui 12 voos, duas viagens de helicóptero e uma oração a grande altitude, nos Andes.

Na terça-feira, o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, indicou que, durante a viagem, "será garantida a assistência médica habitual, sem necessidade de medidas extraordinárias".

Leão XIV admitiu estar "ansioso por regressar ao continente onde viveu muitos momentos da sua vida", já que, antes de se tornar Papa, Robert Francis Prevost serviu durante quase duas décadas no Peru, nomeadamente como bispo da cidade costeira de Chiclayo, de 2015 a 2023.

O líder dos 1,4 mil milhões de católicos do mundo vai iniciar a sua viagem no Uruguai, o país mais laico da América do Sul, onde será recebido pelo Presidente, Yamandu Orsi.

Este país liberal discorda da Igreja Católica em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao aborto e à eutanásia --- legalizada no ano passado --- e espera-se que o Leão XIV faça um apelo à proteção da vida.

O pontífice viajará depois para a Argentina, terra natal do seu antecessor, o Papa Francisco, que desiludiu muitos conterrâneos por não visitar o país durante os seus 12 anos de pontificado.

As autoridades nesse país esperam sete milhões de peregrinos para ver o Papa, que alternará encontros pastorais com discursos perante dignitários, incluindo o Presidente argentino, Javier Milei, um aliado próximo do Presidente norte-americano, Donald Trump, cuja relação com a Igreja é tensa.

O pontífice deverá abordar, neste país, os graves problemas de justiça social, o que poderá ser visto com maus olhos por Milei que classifica o tema como "uma aberração", "um roubo" e "profundamente injusto".

Desde que assumiu o poder, em dezembro de 2023, Milei implementou um programa de austeridade baseado na redução da despesa pública e na eliminação de subsídios e ajudas aos mais desfavorecidos.

A Igreja Católica argentina tem solicitado, repetidamente, ajuda para o setor da assistência a pessoas com deficiência, que sofreu muito com o severo ajustamento fiscal.

O ponto culminante da sua primeira viagem pela América Latina deverá ser, no entanto, o Peru, onde se espera uma imensa participação nos principais eventos, para os quais estão já inscritas pelo menos um milhão e meio de pessoas.

O primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, que também possui cidadania peruana, celebrará missa numa planície desértica perto do oceano Pacífico antes de viajar para Cusco, a antiga capital inca, e depois para Pucallpa, uma cidade na floresta amazónica.

Em Lima, vai encontrar-se com a Presidente do Peru, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, preso por corrupção e crimes contra a humanidade, cujo legado ela reclama.

Espera-se que Leão XIV aborde os problemas que assolam o Peru, desde a onda de crimes, alimentada por assassinatos por encomenda e extorsão desenfreada, à indústria da cocaína --- uma das maiores do mundo --- e ao seu impacto nos povos indígenas.

O Papa deverá também falar da instabilidade política no Peru --- Keiko Fujimori é a nona chefe de Estado em 10 anos --- e da importância de proteger a dignidade dos migrantes num país que alberga cerca de 1,6 milhões de refugiados venezuelanos.

Esta será a quinta vez que um Papa visita a América Latina, depois de Paulo VI ter inaugurado as visitas papais à região com uma viagem à Colômbia, em 1968.

Desde então, todos os seus sucessores viajaram para a América Latina, com exceção de João Paulo I, que morreu em 1978, 33 dias após a sua eleição.