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Madeira

Há 19 anos, DIÁRIO alertava para os riscos do mosquito Aedes aegypti na Madeira

No 'Canal Memória' desta segunda-feira, recuámos a 2007

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A 26 de Outubro de 2007, o DIÁRIO dava destaque à propagação do mosquito Aedes aegypti na Madeira, alertando para a importância da participação da população no combate a esta espécie invasora. Na altura, a negligência e a falta de consciência sobre os riscos associados à sua proliferação eram apontadas como alguns dos principais obstáculos à eficácia das medidas de controlo.

António Sales Caldeira, responsável pela empresa Extermínio, encarregada de desenvolver acções de desinfestação, considerava que a atitude passiva de muitos cidadãos comprometia os resultados pretendidos. A existência de locais propícios à reprodução do mosquito, que poderiam já ter sido tratados, demonstrava, na sua perspectiva, a necessidade de uma maior responsabilidade individual e colectiva.

A Rochinha era então identificada como uma das zonas mais preocupantes, tendo sido ali iniciadas intervenções centradas, sobretudo, na limpeza das sarjetas. Entretanto, eram detectados novos focos de infestação até à Rua Dr. Juvenal, na Carreira e na área envolvente à Câmara Municipal do Funchal. A empresa realizava igualmente intervenções pontuais em edifícios com um elevado número de trabalhadores.

Na mesma edição, o especialista em Medicina Tropical Jorge Atouguia, então director da Unidade de Ensino e Investigação de Clínica de Doenças Tropicais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, explicava que a presença do Aedes aegypti na Madeira não significava, por si só, que existissem na Região as doenças que o mosquito pode transmitir.

O especialista considerava que a erradicação da espécie seria extremamente difícil, devido à capacidade dos ovos para permanecerem em latência durante períodos desfavoráveis e eclodirem quando as condições ambientais se tornassem propícias. O objectivo deveria, por isso, passar pela redução da população do mosquito a níveis que minimizassem o risco de transmissão de doenças.

Naquele momento, as principais queixas registadas na Madeira estavam relacionadas com o incómodo das picadas e com reacções cutâneas que podiam incluir vermelhidão, inchaço e pústulas. Segundo Jorge Atouguia, a população ainda não estaria habituada à saliva do mosquito, o que poderia contribuir para reacções mais exuberantes.

A reportagem alertava igualmente para a possibilidade de introdução de doenças como a dengue através de pessoas infectadas que chegassem à Região provenientes de países onde esses vírus circulavam.

Jorge Atouguia defendia que qualquer pessoa que regressasse de uma viagem a uma região tropical com febre ou outros sintomas suspeitos deveria procurar aconselhamento médico e informar os serviços de saúde sobre a viagem efectuada. O objectivo seria evitar que um mosquito local picassse uma pessoa infectada e, posteriormente, transmitisse o vírus a outras pessoas.

O especialista sublinhava ainda a importância da consulta do viajante e da vigilância sanitária, num contexto em que a globalização e as deslocações internacionais facilitavam a circulação de pessoas e materiais, aumentando também a possibilidade de introdução de novas espécies.