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Pedro Sánchez acredita que "onda radical" também vai desabar em Espanha

Foto QUIQUE GARCIA/EFE/EPA
Foto QUIQUE GARCIA/EFE/EPA

O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, considerou hoje que os resultados das eleições intercalares de terça-feira nos Estados Unidos mostram o desabar da "onda radical" e que o mesmo também vai acontecer em Espanha.

Os democratas impuserem uma pesada derrota política ao Presidente norte-americano, Donald Trump, ao recuperarem o controlo do Congresso, até agora dominado pelos republicanos.

"A sociedade norte-americana votou contra as políticas que apenas empobrecem. Contra o ódio. Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites", escreveu Sánchez nas redes sociais, citado pela agência francesa AFP.

"Isso aconteceu no Brasil [reeleição de Lula da Silva]. Acaba de acontecer nos Estados Unidos. E acontecerá em breve em Espanha", disse o líder socialista, aludindo às eleições antecipadas de 29 de novembro.

No poder desde 2018, Sánchez vai candidatar-se de novo nas eleições antecipadas, tendo como principais rivais o líder dos conservadores, Alberto Núñez Feijóo, e o da extrema-direita, Santiago Abascal.

"A onda radical que Feijóo e Abascal pretendem aproveitar já não cresce: está a desmoronar-se", acrescentou Sánchez, também citado pela agência espanhola EFE.

Incapaz de fazer aprovar no parlamento dois diplomas destinados a travar a crise da habitação que afeta todo o país, Sánchez convocou no início de outubro eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro.

A campanha eleitoral tem sido desde então marcada pela catástrofe ferroviária de Urda, a sul de Madrid, que fez pelo menos 69 mortos na semana passada, no segundo acidente muito grave na rede ferroviária espanhola em menos de um ano.

Na quarta-feira à noite, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, um próximo de Sánchez, anunciou a demissão.

Segundo os dados provisórios das intercalares norte-americanas, os democratas tinham assegurado pelo menos 54 lugares no Senado e 225 na Câmara dos Representantes, ultrapassando as maiorias necessárias em ambas as câmaras.

A conquista do Senado constituiu a maior surpresa da noite eleitoral, depois de os democratas retirarem aos republicanos pelo menos sete lugares, incluindo em estados tradicionalmente conservadores como Texas, Kansas, Carolina do Sul, Ohio e Iowa.

Os resultados representam uma mudança profunda no equilíbrio político em Washington e obrigarão Trump a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os últimos dois anos do seu mandato presidencial.