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Uma centena de polícias protesta em Lisboa contra jogo do empurra nas negociações com Governo

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FOTO MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Cerca de uma centena de polícias concentraram-se hoje frente ao Ministério da Administração Interna para exigir uma valorização salarial efetiva já em janeiro de 2027, acusando o Governo de estar "num jogo do empurra" para adiar esses aumentos.

"O que vemos da parte do Governo é um jogo do empurra para que esta valorização se concretize mais tarde", disse à Lusa Paulo Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que convocou o protesto de hoje, ao qual se juntou também a Associação de Profissionais da Guarda (APG/GNR), que juntou cerca de uma centena de polícias, entre PSP e GNR.

Paulo Santos acusou o Governo de mostrar "pouca disponibilidade" para dar "passos concretos" nas negociações que decorrem com o Ministério da Administração Interna (MAI) e o Ministério das Finanças", apontando ainda "um vazio" de propostas da parte da tutela.

Acusou também o Governo de "lançar ideias e experimentações", desajustadas à urgência do momento.

"Não temos tempo para experimentações, temos tempo para no prazo de um mês definir uma política que promova uma valorização da tabela remuneratória", disse, a propósito do prazo até à aprovação final do Orçamento do Estado para 2027, cuja proposta foi hoje entregue pelo Governo no parlamento.

Só ao fim de duas horas de concentração, às 19:30, os polícias arrancaram em direção à Câmara Municipal de Lisboa, a poucos metros de distância do Terreiro do Paço, onde fica o MAI, para encerrarem o protesto frente à sede da autarquia.

O desfile até à Câmara de Lisboa decorreu sem palavras de ordem, mas com muitos apitos, tendo os dirigentes das duas estruturas sindicais, ASPP/PSP e APG/GNR, sido recebidos por um assessor de Carlos Moedas, presidente da câmara de Lisboa.

Apitos e apupos foi também o que se ouviu ainda frente ao MAI, quando o diretor nacional da PSP saiu do ministério, onde esteve reunido com o ministro Luís Neves, recusando responder a perguntas dos jornalistas sobre os protestos a decorrer e sobre as notícias relativas à sua sucessão à frente da PSP.

"Desejo o melhor aos nossos polícias e estou certo que os nossos polícias vão continuar a dar o melhor para a população", disse Luís Carrilho, enquanto entrava para o carro.

Pelo lado da GNR, César Nogueira criticou o tempo perdido em negociações sem que tenha sido apresentada pela tutela uma proposta concreta, e defendeu que o essencial neste momento é uma valorização salarial com efeitos já em janeiro de 2027 e alterar o estatuto remuneratório desta força policial, há décadas sem ser revisto, e um dos fatores que compromete a atratividade da carreira, que cada vez atrai menos candidatos.

César Nogueira disse que há neste momento guardas a receber menos 250 euros do que deveriam e que por via disso o Estado poupa milhões de euros.

Para o dirigente, a atuação do Governo nas negociações revela que "a segurança não é uma prioridade" e teme o que possa acontecer, até na imagem de Portugal enquanto país seguro, no dia em que "os polícias baixarem os braços".

Recusando fazer ameaças, e ressalvando que as forças policiais não podem fazer greve, César Nogueira disse, no entanto, que "são pessoas com ideias" e que neste momento "é preciso fazer alguma coisa mais" para que a posição das polícias seja considerada pelo Governo.

Também Paulo Santos afirmou que a ASPP/PSP não vai desistir do calendário de protestos decidido em setembro, tendo já deixado a garantia ao Governo de que "os protestos são para continuar" até que a tutela "garanta algo palpável em janeiro de 2027".

De momento, a ASPP/PSP não ter "nada para apresentar" em resultado das reuniões negociais, disse Paulo Santos, que entende que o ministro Luís Neves "não tem respaldo político nem apoio governativo", quer do primeiro-ministro, quer do Ministério das Finanças, para concretizar as reivindicações sindicais.

No protesto junto ao MAI esteve ainda o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em solidariedade com a luta dos polícias por melhores salários, tendo considerado que a proposta de Orçamento do Estado hoje apresentada "não vai responder ao país e aos trabalhadores" e representa "um ataque aos serviços públicos".