Governo francês acusa extrema-esquerda de incitar violência em protestos estudantis
Os protestos e bloqueios de escolas feitos por estudantes contra a falta de condições de aulas em França escalaram para "violência urbana", afirmou hoje o Governo francês, citando serviços de informação que sugerem uma "operação organizada" pela extrema-esquerda.
Os protestos começaram na semana passada, tendo-se intensificado na terça-feira ao coincidir com uma jornada nacional de greves da função pública.
A partir daí, o movimento ganhou uma dimensão muito violenta e abrangente, afetando mais de 350 estabelecimentos de ensino e estendendo-se hoje também às universidades.
Diretores de escolas foram atacados, polícias e manifestantes ficaram feridos e foram registados vários incêndios, obrigando o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a convocar uma reunião de crise.
Os serviços de informação franceses acreditam que o movimento é uma "operação organizada pelo partido La France Insoumise [LFI, França Insubmissa] e pelos seus aliados de extrema-esquerda", disse o gabinete do primeiro-ministro, após a reunião.
O LFI tinha convocado "a expansão" dos bloqueios das escolas depois de o seu líder, Jean-Luc Mélenchon, ter denunciado "a repressão" do movimento, apelando aos eleitos e ativistas do partido para que "interviesse onde" puderem.
O ex-primeiro-ministro e candidato centrista Gabriel Attal pediu aos partidários do LFI que "parem de usar os jovens como carne para canhão", enviando-os "para se colocarem em perigo a si próprios e aos outros, incluindo polícias e funcionários da educação".
Em várias cidades, contentores de lixo foram virados, incêndios foram provocados em frente ou dentro de escolas, projéteis foram atirados, paragens de autocarro foram destruídas e gás lacrimogéneo foi disparado, observaram jornalistas da agência de notícias francesa AFP.
Numa escola secundária de Marselha (sul de França), o vice-diretor e dois outros funcionários foram atingidos por gasolina lançada por "indivíduos que a estavam a colocar em recipientes", afirmou a autoridade regional de educação.