Nuno Batista exige fim do "mendigar" pelos direitos das ilhas
Autarca do Porto Santo defende maior autonomia na gestão dos espaços marítimo e aéreo e alerta que as ilhas não podem ficar "reféns das companhias aéreas"
As regiões insulares devem ter maior capacidade para gerir os seus territórios e beneficiar dos recursos gerados nos espaços marítimo e aéreo que as rodeiam. A reivindicação foi deixada, na manhã deste sábado, por Nuno Batista, presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, na abertura da 4.ª edição das Jornadas Atlânticas do Turismo, que decorrem em Velas, na ilha de São Jorge.
"Existe território para além da terra, existe o espaço marítimo e existe o espaço aéreo", começou por salientar o autarca porto-santense, defendendo que o retorno financeiro obtido através desses espaços deve chegar às regiões e ser colocado ao serviço das respectivas populações.
Se esse espaço pertence às nossas regiões, então o retorno financeiro que é obtido através do mesmo tem de ser entregue às nossas regiões, para que estas possam pôr essa mais-valia a favor das suas populações e para não andarmos a mendigar aquilo que é nosso por direito Nuno Batista, presidente da Câmara Municipal do Porto Santo
Porto Santo leva desafios do turismo insular a São Jorge
4.ª edição das Jornadas Atlânticas do Turismo decorre este fim-de-semana, em Velas, e reforça a ligação da Madeira, Açores e Cabo Verde
O presidente da Câmara do Porto Santo aproveitou também a presença em São Jorge para colocar a mobilidade entre os problemas que continuam a unir os territórios insulares. Depois de referir ter notado, nesta passagem pelas Velas, um decréscimo no número de visitantes, manifestou solidariedade com as dificuldades enfrentadas pelo município anfitrião.
"É muito complicado um autarca, numa ilha, fazer tudo o que está ao seu alcance para conseguir dinamizá-la, procurar melhorar as condições de vida das suas populações e, depois, por decisões que lhe são alheias, como acontece no caso da mobilidade, surgirem situações como esta", sublinhou.
Nuno Batista considerou ainda que a mobilidade é uma questão "extremamente importante" para as ilhas e defendeu que estas regiões "não podem ficar reféns das companhias aéreas".
O autarca defendeu, por isso, uma posição mais forte dos territórios insulares na reivindicação dos seus interesses, deixando também um apelo para que as Regiões Autónomas não sejam esquecidas.
Não podemos deixar que as regiões autónomas fiquem esquecidas e que as nossas populações se sintam madeirenses ou açorianos de segunda Nuno Batista, presidente da Câmara Municipal do Porto Santo
O autarca apontou ainda críticas ao processo de descentralização promovido pelo Governo da República, considerando que, apesar da transferência de responsabilidades para os governos regionais, nem sempre são dadas às regiões as condições necessárias para resolver os problemas que enfrentam. Por isso, lançou como desafio para o futuro uma maior capacidade de gestão dos próprios territórios, que considerou "um tema importante" e sobre o qual recordou que o Governo Regional da Madeira "já começou também a tomar algumas posições".
O Porto Santo volta a juntar-se às ilhas de São Jorge, dos Açores, e do Sal, de Cabo Verde, para debater os desafios e o futuro do turismo nos territórios insulares. A ilha dourada participa, este fim-de-semana, na 4.ª edição das Jornadas Atlânticas do Turismo (JAT), que arrancou este sábado, no município de Velas, em São Jorge.
A iniciativa, que decorre nos dias 3 e 4 de Outubro, nasce da geminação entre os municípios do Porto Santo, Velas e Sal, aproximando três territórios insulares que têm no turismo um dos principais motores das respectivas economias.