Mais de 800 crianças e jovens vivem há pelo menos seis anos em casas de acolhimento
Mais de 800 crianças e jovens vivem há seis ou mais anos em casas de acolhimento em Portugal, representando quase 17% dos acolhidos nestas instituições, segundo dados da Segurança Social relativos a 2025.
De acordo com o Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens (CASA) 2025, havia 828 crianças e jovens em casas de acolhimento generalistas há pelo menos seis anos, menos 45 do que em 2024, quando estavam nesta situação 873 menores.
Apesar da redução de 5%, o peso dos acolhimentos prolongados manteve-se praticamente inalterado, passando de 16,9% em 2024 para 16,7% em 2025, o que significa que cerca de uma em cada seis crianças e jovens acolhidos nestas casas permanece nesta resposta durante pelo menos seis anos.
O relatório não identifica, contudo, os motivos concretos que explicam a permanência durante seis ou mais anos.
O tempo médio de permanência nas casas de acolhimento generalistas foi de 2,8 anos, mas os dados mostram realidades distintas, com 1.389 crianças e jovens acolhidos há menos de um ano e 1.288 entre dois e três anos.
Outros 914 estavam acolhidos há um ano e 545 entre quatro e cinco anos, pelo que um total de 1.373 crianças e jovens, o correspondente a 27,7% dos acolhidos nestas casas, permanecia no sistema há pelo menos quatro anos.
Comparativamente a 2024, verificou-se uma redução de 11% nos acolhimentos com duração entre quatro e cinco anos, enquanto os de seis ou mais anos diminuíram 5%.
Os dados constam do relatório anual do Instituto da Segurança Social, que identifica um total de 6.120 crianças e jovens em situação de acolhimento em Portugal em 2025, menos 229 do que no ano anterior.
Destes, 4.964 estavam em casas de acolhimento, 459 em famílias de acolhimento, 358 em apartamentos de autonomização e 339 noutras respostas destinadas a necessidades específicas.
A análise dos projetos de promoção e proteção das crianças e jovens nas casas de acolhimento generalistas revela que a reintegração na família nuclear continuava a ser a solução mais frequente, abrangendo 44,6% dos projetos definidos.
Seguiam-se os projetos de autonomização, com 31,6%, e de adoção, com 9,9%, enquanto 6,8% previam a reintegração na família alargada e 5,9% apontavam para o acolhimento permanente.