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Madeira

Raimundo Quintal critica empobrecimento florístico do Passeio Marítimo do Funchal

Especialista em botânica denuncia a predominância de espécies exóticas, a presença de uma planta invasora e falhas de manutenção entre a Ponta da Cruz e o Lido.

Fotos DR/Raimundo Quintal Ver Galeria
Fotos DR/Raimundo Quintal

Raimundo Quintal manifestou hoje indignação com o estado de conservação e a gestão dos espaços verdes do Passeio Público Marítimo do Funchal, entre a Ponta da Cruz e o Lido, apontando o empobrecimento da diversidade florística, a utilização excessiva de espécies exóticas e problemas de manutenção.

Numa publicação divulgada esta segunda-feira, 12 de Outubro, na página da Associação dos Amigos dos Ecossistemas do Arquipélago da Madeira na rede social Facebook, o geógrafo e especialista em botânica considera que, no ano em que a Madeira assinala os 50 anos da Autonomia, aquele espaço deveria continuar a valorizar a diversidade de plantas do litoral madeirense, em particular as espécies endémicas.

Em vez disso, critica a aposta na Agave attenuata, conhecida como pescoço-de-cisne, uma suculenta originária do México que, segundo Raimundo Quintal, domina os jardins ao longo do passeio marítimo e de outros espaços ajardinados do Funchal. O autor de vários livros sobre a temática considera que esta opção contribui para a perda de diversidade e poderá estar relacionada com as reduzidas necessidades de manutenção da espécie.

Outra das críticas incide sobre a plantação de Lantana camara na zona do Lido. Raimundo Quintal alerta que este arbusto, originário da América Central e do Sul, está classificado oficialmente como espécie invasora, defendendo que não deve ser utilizado nos jardins públicos.

O estado das árvores e a conservação dos espaços também merecem reparos. O especialista aponta erros nas técnicas de poda, a falta de valorização de espécies nativas resistentes e o mau estado de alguns dragoeiros. Refere ainda a necessidade de reparações urgentes em estruturas de betão e a presença de lixo em determinados pontos do percurso.

Raimundo Quintal recorda o trabalho que desenvolveu para que o Passeio Público Marítimo do Funchal se afirmasse como um espaço de referência, com elevada qualidade paisagística e riqueza em biodiversidade. Duas décadas depois, lamenta a evolução que considera negativa e afirma que cada visita ao local lhe provoca "um aperto no coração".