Madeira

Ex-trabalhadores do Madeira Palácio convocados para analisar impugnação da insolvência

Foto Arquivo
Foto Arquivo

Os antigos trabalhadores do hotel Madeira Palácio foram convocados pelo Sindicato da Hotelaria da Madeira para um plenário onde vão ser confrontados com a impugnação da insolvência daquela unidade, processo que faz este ano uma década. Na curta nota, o Sindicato refere que a reunião será realizada amanhã, 10 de Março, pelas 16h00 no auditório da sua sede, à Rua da Alegria, n.º 31, no Funchal, reunindo cerca de 20 ex-trabalhadores do antigo Madeira Palácio, "para análise da impugnação da insolvência".

Uma sessão de esclarecimento que será liderada pelo consultor jurídico daquele sindicato, o advogado Marco Gonçalves.

Refira-se que o processo de impugnação da insolvência do Madeira Palácio decorre desde 2013 e já em meados de 2019, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal já tinha declarado a ex-proprietária 'Lignum – Investimentos Turísticos da Madeira, S.A.' de  a insolvência "culposa e fraudulenta".

Em 2014, o DIÁRIO revelava que a 'Lignum' acumulara dívidas no valor de 137,3 milhões de euros e que iria entrar em fase de liquidação do património e respectiva venda do imóvel da Estrada Monumental. 

A lista de créditos reclamados à empresa hoteleira, controlada pelo grupo continental Fibeira, que havia sido entregue no Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal pelo administrador de insolvência, no âmbito do Processo Especial de Revitalização (PER). O valor da dívida não paga era estimada em 114 milhões de euros e havia sido apresentada em Agosto desse ano, quando o Millennium BCP requereu a insolvência da Lignum. 

Só a dívida ao BCP era de quase 122 milhões de euros, seguindo-se o seu anterior dono, o grupo Fibeira, créditos reconhecidos de 12 milhões de euros, relativos a suprimentos feitos à sociedade, sendo que na lista de credores estavam ainda 17 ex-trabalhadores da unidade hoteleira, que exigiam o pagamento de 739 mil euros referentes a salários e indemnizações, e ainda o Instituto de Segurança Social da Madeira (2,7 milhões de euros) e alguns fornecedores.

Perante este plenário anunciado, resta referir que o ex-Madeira Palácio foi adquirido em Maio de 2021 pelo Grupo Pestana por 48,1 milhões de euros que, após concluir a obra de requalificação que ficara parada à conta da crise do imobiliário, acabou por ser vendido, em parte, cerca de um ano depois, com boa margem de lucro (adquirida por 28,8 milhões e vendida por 40 milhões de euros).

"Esta transação incluiu três componentes. Uma componente imobiliária (Madeira Palace Residences) pronta a ser vendida, num condomínio de luxo e primeira linha de mar, adquirida por 28,8 milhões de euros tendo sido rapidamente vendida a uma promotora imobiliária por 40 milhões de euros. Uma segunda componente respeitante ao antigo hotel que será transformado em 181 apartamentos para venda (actual Madeira Acqua Residences), de diferentes tipologias T1 a T4, adquirida pelo valor de 17,1 milhões de euros e com um investimento total previsto de 53 milhões de euros, incluindo o custo de aquisição. Uma terceira componente que passa pela construção de um novo hotel com cerca de 160 quartos junto ao Pestana Bay, adquirida pelo valor de 2,2 milhões de euros e com um investimento total previsto de 14 milhões de euros, incluindo o seu custo de aquisição", referia a nota do Grupo aquando da formalização da venda.

Recorde neste arquivo de notícias, alguns dos recuos e avanços do projecto cuja requalificação começara em 2008.