Madeira

"Falta o reconhecimento público da importância do CINM"

Tânia Castro, representante da Mesa do Centro Internacional de Negócios da Madeira na ACIF, reage aos números que fazem manchete hoje no DIÁRIO

Em Abril de 2012 foi lançado um projecto que visava unir os defensores pelas mais-valias do CINM.   Foto Arquivo/Aspress
Em Abril de 2012 foi lançado um projecto que visava unir os defensores pelas mais-valias do CINM.   Foto Arquivo/Aspress

O Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) tem todas as condições para ser um activo primordial no desenvolvimento económico da Madeira e o último ano e meio em que estamos em pandemia veio mostrar que, efectivamente, a Região é obrigada a diversificar a sua economia para não correr o risco de praticamente paralisar, quando o Turismo sofre um revês como o que vivemos.

Quem o afirma, por outras palavras, é a presidente da Mesa da Secção do CINM - Serviços, Tânia Castro, em reacção à manchete do DIÁRIO que hoje indica que a actividade das empresas no Centro Internacional de Negócios gerou 70% de todo o Imposto sobre Rendimentos Colectivos (IRC) cobrado na Madeira. "Tenho pena que este tipo de notícias não tenham também eco na imprensa nacional", começa por atirar.

"Nós, associados da ACIF e trabalhadores no CINM andamos há anos a apregoar e a informar as pessoas da importância vital do nosso Centro", justifica. "E essa importância reflete-se em todos os sectores: no Público pela arrecadação de impostos (como o artigo evidencia) mas também no Privado", garante.

 "Não há custo fiscal nenhum para o Estado! O que há, na realidade, é a arrecadação duma fatia enorme nas receitas fiscais." Tânia Castro

A directora-geral da empresa de serviços TPMC vai mais longe. "O CINM gera emprego, negócio e atrai o investimento. Investimento este que não estaria na Madeira se não fosse o CINM – peço que isto fique esclarecido duma vez por todas: não há custo fiscal nenhum para o Estado! O que há, na realidade, é a arrecadação duma fatia enorme nas receitas fiscais. Valor este que , nesta altura do campeonato, leia-se Pandemia – é Vital para os cofres do Estado! É só fazer um exercício matemático, não é necessário mais do que isso…", argumenta.

Lamenta, contudo, que isso não seja reconhecido. "Custa-nos muito, ao longo de vários anos, andar a lutar por um sector que devia ser acarinhado por todos os Madeirenses", atira. "Mais, por todos os Portugueses! Lutar pelo direito a trabalhar, a criar riqueza, a dar trabalho a quem precisa; a ajudar a desenvolver a Madeira. É uma situação muito ingrata, tenho de reconhecer", lamenta.

Zona Franca gera mais de 70% do IRC

Empresas do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) contribuíram, em 2020, com mais de 180 milhões de euros para os cofres da Região

"Mas não vamos desmotivar", assegura Tânia Castro. "Vamos continuar, com evidências, a mostrar que a Madeira precisa diversificar a Economia. Precisa encontrar outros caminhos em que não esteja totalmente dependente dum único sector". E acrescenta: "Ninguém nega a importância do Turismo, mas penso que estamos todos de acordo quando digo que o último ano e meio nos ensinou que economia nenhuma sobrevive só com um sector. Vamos aprender e fazer melhor. O CINM tem todas as condições para ser reconhecido como um sector de primordial importância para a economia da Ilha.  Os números de vários anos, não só de 2020, já o ditam."

Por isso, garante, o que falta é "o reconhecimento público dessa importância". E mais, ressalva e questiona: "Falta o trabalho conjunto dos sectores públicos e privados- a trabalhar para o bem comum. Se com estas batalhas todas, o CINM consegue gerar 70% da receita em IRC para os cofres da Região, imaginem o que conseguiríamos atingir se não houvessem estas lutas , se todos trabalhássemos para o mesmo? A quantidade de emprego, investimento e consumo que conseguiríamos gerar?."

E conclui: "Esta manhã estava a ler que as últimas sondagens apontam para um aumento do desemprego na ordem dos 22,8% na Madeira. Nem imagino o desespero de muitas famílias neste momento. Deixo uma questão a quem de direito: Que vamos todos fazer quanto a isto?."