Madeira

A lei de Fabião

None

Boa noite!

Pouco antes do meio-dia de hoje a Ordem dos Médicos Dentistas resolveu alistar-se na tribo dos que, à conta do vírus, julgam ter força acrescida para exterminar sem dó nem piedade o jornalismo que nestes meses de tormenta tem sido vacina e remédio.

Através de um ‘esclarecimento’ assinado pelo representante da Ordem na Madeira, Fabião Castro Silva “repudia em absoluto a forma como os órgãos de comunicação social” noticiaram que dois médicos dentistas da Região contraíram Covid-19. Assim, sem dúvidas, nem contemplações, o signatário apropria-se da lei de Talião e vinga-se nos mensageiros.

Cinco minutos depois, e já com o ‘esclarecimento’ publicado na nossa plataforma digital, a Direcção Editorial do DIÁRIO informou a distraída entidade que, enquanto meio de comunicação social, deu expressão ao comunicado oficial enviado na véspera pelas autoridades de saúde da Região, no qual podia ler-se: “Relativamente aos 9 casos de transmissão local confirmados hoje, estão associados a contactos próximos de casos positivos recentemente identificados, que já estavam a ser acompanhados pelas autoridades de saúde. Entre estes casos, salienta-se a existência de 2 profissionais de saúde, com atividade no sector privado, na área da medicina dentária, e 1 jovem estudante de um estabelecimento de ensino no concelho de Santa Cruz”.

Por assim ser, contestamos desde logo um ‘esclarecimento’ que deturpa a verdade dos factos, enferma de rigor e opta pela ofensa gratuita e infundada aos jornalistas e aos meios de comunicação social, informando também que, no que concerne ao DIÁRIO, dnoticias.pt e TSF, estávamos obrigados a agir em conformidade.

Quatro horas passadas, a Ordem dos Médicos Dentistas emite um segundo ‘esclarecimento’ que, sem reconhecer qualquer precipitação inicial, nem pedir desculpas aos jornalistas que enxovalhou gratuitamente, optou por centrar críticas no Governo Regional, nomeadamente na secretaria tutelada por Pedro Ramos. Para a Ordem, mencionar a categoria profissional de dois doentes “é no mínimo desonesto para com um sector que é o dos mais protegidos e bem preparados para trabalhar num contexto como este de pandemia".

Este reles episódio, assente no execrável argumento “olho por olho, dente por dente”, não nos cala, nem nos limita a um mero lamento de circunstância, até porque abre portas a interessantes trabalhos jornalísticos.

Nada nos move contra ninguém, nem muitos menos contra entidades representativas de classes profissionais, sejam ordens ou sindicados, com as quais mantemos relações de excelência e uma cooperação exemplar em nome de uma informação credível.

O que não podemos permitir é que esta Ordem ou quem a representa nos culpe por uma alegada discriminação, sem ter a noção de como funciona todo o processo noticioso relacionado com a divulgação do boletim epidemiológico diário relativo à Covid-19, o que revela alheamento inconcebível de uma realidade que se vive ao segundo. Já não estamos em Março!

Dada as circunstâncias, repudiamos que a Ordem de Fabião tenha julgado antes de ouvir, não tenha perguntado antes de querer esclarecer sem anestesia e peça um tratamento de excepção num contexto em que todos estamos em pé de igualdade. Quem comprovadamente, neste caso, "mente com quantos dentes tem na boca" não pode estar à espera de contemplações por parte daqueles que têm pacto com a verdade.

Fechar Menu