Ireneu Barreto recebe louvor e diz-se "devedor" da Ponta do Sol
Ireneu Cabral Barreto recebeu com emoção o louvor atribuído por unanimidade pela Assembleia Municipal da Ponta do Sol, considerando-o o reconhecimento de um percurso que nunca poderia ter construído sozinho. Na sessão solene dos 525 anos do concelho, o antigo representante da República afirmou não se sentir credor da distinção, mas “devedor” da família, dos professores, dos colaboradores e de todos os que contribuíram para o seu caminho.
Ao recordar 15 anos de serviço, depois de uma longa carreira dedicada à justiça e aos direitos humanos, Ireneu Barreto evocou responsabilidades, decisões, dificuldades e aprendizagens. Entre os momentos que mais o marcaram, destacou a pandemia, período em que desapareceram certezas, foram interrompidas rotinas e as instituições tiveram de encontrar respostas para uma realidade desconhecida.
O ex-representante da República considerou, contudo, que esse período também revelou “o melhor das pessoas”, através da solidariedade, do sentido de comunidade, da capacidade de sacrifício e da vontade de proteger os outros. “Foi aí que senti, de forma intensa, o verdadeiro significado de servir, porque, por vezes, uma função deixa de ser apenas um cargo e passa a ser um compromisso com as pessoas e com o interesse público”, declarou.
Ireneu Barreto abordou igualmente a instabilidade política e institucional vivida pela Madeira em 2024 e 2025, quando as responsabilidades do representante do Estado foram particularmente postas à prova. Garantiu ter procurado exercer as funções com independência, serenidade e respeito pela Constituição, pela autonomia regional, pela legitimidade democrática e pelo Estado de Direito. “Se o fiz bem, não me cabe a mim dizê-lo. Aos outros compete avaliar”, observou.
O homenageado dedicou o louvor aos pais, que realizaram “sacrifícios inenarráveis” para formar os três filhos num período de grandes dificuldades, e manifestou solidariedade para com os familiares que emigraram para a Venezuela. Agradeceu ainda à mulher, aos que o ensinaram e a todos os que trabalharam consigo. “Nenhum percurso se constrói sozinho”, concluiu, recebendo a distinção como o reconhecimento de um caminho feito com o apoio de inúmeras pessoas.