Brasil celebra dia de independência em plena campanha e crise institucional
O Brasil celebrou, esta segunda-feira, o Dia da Independência em plena campanha eleitoral e a menos de um mês das eleições, num momento de turbulência institucional devido a um caso de corrupção que afeta o sistema político e judicial brasileiros.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, que procura a reeleição no dia 04 de outubro, participou de manhã no tradicional desfile cívico-militar, em Brasília, para assinalar o 204.º aniversário da proclamação oficial da separação do Brasil com Portugal.
Sob o lema, "Soberania, a força que une o Brasil", o desfile deste ano centrou-se em três bandeiras do Governo brasileiro: a soberania nacional, o combate à violência contra as mulheres e o Mundial de futebol feminino, que o Brasil organizará no próximo ano.
Lula da Silva esteve acompanhado pelo vice-presidente e seu companheiro de candidatura nas eleições de outubro, Geraldo Alckmin, da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, e dos chefes dos poderes Legislativo e Judicial, entre outras autoridades.
Já o segundo colocado nas sondagens para as eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro, senador brasileiro e filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, tem agendado para a tarde de hoje uma manifestação em São Paulo com o mote "Fora Lula e fora [Alexandre de] Moraes", o proeminente juiz do Supremo Tribunal Federal (STF).
A campanha ficou marcada nos últimos dias pelo escândalo que tem como epicentro o Banco Master, uma entidade privada liquidada por ordem do Banco Central no ano passado, após ter causado perdas superiores a 10 mil milhões de euros a fundos públicos de pensões.
O escândalo, cujas investigações continuam em curso e estão, na sua maioria, sob segredo de justiça, atingiu vários políticos, autoridades e juízes do STF.
A crise política agravou-se esta semana com a divulgação de mensagens comprometedoras do banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, enviadas ao juiz Alexandre de Moraes, que foi o juiz responsável pelo processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
A Polícia identificou mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, a quem o banqueiro pediu proteção perante as investigações e chegou a perguntar, dias antes de ser detido, se deveria abandonar o país, segundo documentos judiciais tornados públicos pelo Supremo Tribunal.
O caso está nas mãos de André Mendonça, outro dos juízes do STF.
No entanto, Alexandre de Moraes, descontente com as investigações contra si, contra-atacou e pediu que Mendonça fosse investigado por abusos e irregularidades na condução do processo.
O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, que hoje esteve a poucos metros de Lula no desfile de Brasília, assumiu as rédeas da crise e prometeu, na semana passada, levar a investigação até ao fim.
Ambos os lados políticos têm procurado explorar politicamente o caso de corrupção, tentando associá-lo ao seu adversário político.
Flávio Bolsonaro afirmou que existe "um consórcio" entre Lula da Silva e "essas pessoas que tentaram acabar com a democracia".
Entretanto, a esquerda tenta explorar o facto de o próprio Flávio Bolsonaro ter admitido ter recebido pelo menos 12 milhões de dólares de Vorcaro para patrocinar um filme que narra a ascensão política do pai.
Lula da Silva já pediu rigor nas investigações ao caso Master, mas criticou, ao mesmo tempo, o facto de as fugas de informação terem sido "seletivas".
Sem citar ninguém, o chefe de Estado afirmou que "algumas pessoas" tentam "enfraquecer" as instituições democráticas através das fugas de informação.