Orgulho LGBTQIA+ sai à rua contra o preconceito
Paulo Spínola, do Madeira Pride, alerta para a persistência da discriminação e pede mais apoios e recursos humanos para as associações
O Funchal recebeu, esta tarde, a Marcha do Orgulho LGBTQIA+, que percorreu o trajecto entre o Largo do Município e a Assembleia Legislativa da Madeira, num momento marcado pela reivindicação, visibilidade e defesa dos direitos das pessoas LGBTQIA+.
Apesar do calor que se fez sentir, a organização mostrou-se satisfeita com a adesão à iniciativa, que contou com meia centena de pessoas. Para Paulo Spínola, responsável pelo Madeira Pride, entidade organizadora, a marcha constitui "a parte mais reivindicativa" do programa do Orgulho LGBTQIA+, assumindo-se como um momento para chamar a atenção para a discriminação que ainda afecta as minorias.
É importante acreditar e lembrar que, assistimos cada vez mais a discursos e movimentos que incentivam o ódio e a violência contra as minorias, sejam elas de género ou orientação sexual, mas também contra outros grupos, como as mulheres e comunidades que já foram sistematicamente marginalizadas. Paulo Spínola, responsável do Madeira Pride
A iniciativa pretende, por isso, "chamar a atenção e dar visibilidade àquilo que ainda existe" e que, defende Paulo Spínola, "deve ser olhado e trabalhado diariamente, para não deixar ninguém para trás".
Durante a marcha, que terminou junto à Assembleia Legislativa da Madeira, o responsável destacou ainda a diversidade de participantes. "Jovens, menos jovens, homens, mulheres, todos estão aqui. Acho que temos uma boa representação, quer de géneros, quer de idades", referiu
Para o Madeira Pride, esta mobilização é também um "grito de alerta" perante a ideia de que os direitos conquistados estão definitivamente assegurados. "É importante lembrar que os direitos não são garantidos para sempre e que nem todos são iguais. Há direitos conquistados que estão a ser novamente discutidos", alertou.
Ao mesmo tempo, Paulo Spínola deixou uma mensagem de esperança, defendendo que iniciativas como esta e o trabalho desenvolvido diariamente pelas associações podem contribuir para melhorar a vida das pessoas que se sentem afectadas pelo isolamento associado à pertença a uma minoria.
Questionado sobre a existência de preconceito na Madeira, o responsável do Madeira Pride reconheceu que ainda persiste, embora sublinhe que não é uma realidade exclusiva da Região. "É algo transversal a vários países e estamos a assistir a isso também na Europa", disse, reforçando que é necessário continuar a trabalhar sobre esta realidade e a "chamar a atenção" para a sua existência.
Entre as mudanças que gostaria de ver na Região está também um maior apoio às associações que trabalham nesta área. Paulo Spínola aponta a necessidade de mais apoios "quer por parte das empresas, quer através de apoios particulares e públicos", sobretudo para reforçar os recursos humanos.
"Temos muita falta de recursos humanos e, por isso, o nosso trabalho acaba também por ficar um pouco limitado", explicou.
No final, deixou à sociedade madeirense a mensagem que dá o mote à edição deste ano do Madeira Pride. "O mundo que queremos começa aqui. Um mundo tolerante, que respeite todos e todas e que viva em paz".