Na minha rua!

Na minha rua vivem trabalhadores estrangeiros numa fração sobrelotada de um prédio! Um deles dorme numa arrecadação situada na cobertura do edifício, na qual mal deve caber uma cama! A cobertura é uma área técnica, sem proteção e não era visitável, mas entretanto passou a servir de acampamento, zona de convívio e consumos ilícitos, lavandaria, depósito de colchões a arejar e respetiva reciclagem de pragas e demais tralhas, ao ar livre;

O proprietário desta fração auferirá “balúrdios” com o arrendamento de camas e beliches na fração sobrelotada e respetiva arrecadação, com condições de higiene e habitabilidade de outros mundos;

Os seus “usurpados” vizinhos, pois trata-se de uma área comum, não “tugem nem mugem” e o honesto arrendatário com certeza aproveita para retribuir e contribuir para o desenvolvimento da Região liquidando os devidos impostos na Autoridade Tributária;

A Minha rua localiza-se entre as mais cotadas e conceituadas unidades hoteleiras e de restauração desta maravilhosa terra que por sua vez necessitam destes trabalhadores! Não deveriam garantir-lhes alojamento e remuneração dignos?

Na minha rua não se dorme com tranquilidade ao fim de semana!

Entre as 04 e as 05 horas da manhã os bem comportados meninos e meninas desta terra fazem o seu passeio noturno entre uma discoteca (que encerra às 04h da madrugada) e outra que fecha portas já de manhã;

Na minha rua estes jovens exemplares, “berram”, gritam, “vomitam” palavrões, cantam e ameaçam quem os interpela, destroem caixotes, espalham o lixo e abandonam trotinetes no meio da rua e nos passeios;

A minha rua não é frequentada pela polícia dada a tranquilidade que aqui se vive;

Na minha rua o alojamento local entretanto interdito continua em crescimento;

Na minha rua os locais estacionam os automóveis nos passeios e os visitantes, com os seus carros alugados, ocupam os estacionamentos, gratuitos à noite;A minha rua é um microcosmo desta avançada sociedade, exemplo civilizacional e espelho do progresso e do tempo em que vivemos em que tudo é permitido e normalizado e em que quem “ manda” não quer saber e muito menos faz alguma coisa!

A minha rua é a Princesa D. Amélia, que já teve melhores dias, tal e qual a nossa tão propalada qualidade de vida!

Depois admirem-se os “decisores” se os residentes da minha e de outras ruas deste paraíso visitado por milhares, em desespero, forem atrás dos populismos em voga que vão tomando conta de milhares de ruas por este mundo fora!

Paulo França Rodrigues