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Lisboa aposta em transporte público integrado para conquistar passageiros

Carris Metropolitana transportou 194 milhões de passageiros em 2025, mais 11,5%. Carlos Carvalho defende estratégia comum, integração tarifária e financiamento público estável

Sobre a ausência de metro no Funchal, Carlos Carvalho deixou uma nota de humor: “Qualquer dia andamos de drones, por isso pode ser que seja solução.”
Sobre a ausência de metro no Funchal, Carlos Carvalho deixou uma nota de humor: “Qualquer dia andamos de drones, por isso pode ser que seja solução.”, Foto Rui Silva/ASPRESS

Uma estratégia comum, maior articulação entre entidades, integração tarifária e reforço da oferta foram determinantes para a transformação do transporte público na Área Metropolitana de Lisboa. A experiência foi apresentada no Funchal por Carlos Carvalho, presidente do conselho de administração da Transportes Metropolitanos de Lisboa, durante a conferência ‘O futuro da mobilidade urbana no Funchal: Qual o caminho a seguir?’.

“A ideia, o projecto, a estratégia comum” foram, segundo o responsável, o ponto de partida para a mudança, mas sempre assentes numa forte “cooperação, articulação, integração e interdependência” entre as entidades que gerem os transportes e os operadores.

A Área Metropolitana de Lisboa passou de 2,9 para 3,3 milhões de habitantes nos últimos anos, aumentando a pressão sobre o sistema de mobilidade. Perante este crescimento, Carlos Carvalho apontou quatro prioridades para modernizar o transporte colectivo: alteração do sistema tarifário, aumento da oferta rodoviária, estudos e planeamento, e inovação e tecnologia.

O responsável sublinhou que a transformação não passou pela retirada de competências aos 18 municípios da área metropolitana, mas pela criação de mecanismos de articulação e de “solidariedade institucional”, apesar das diferenças políticas entre autarquias e da desconfiança inicialmente manifestada pelos operadores.

Um dos principais resultados foi a substituição de um sistema tarifário complexo e caro por um modelo intermodal, permitindo utilizar metro, barcos e autocarros com um título comum. Um terço da população estava excluída do sistema anterior, recordou.

Na altura, os passes mensais podiam atingir os 150 euros, quando o salário mínimo nacional estava nos 600 euros. Actualmente, na Carris Metropolitana, o passe mensal custa 40 euros para circular nos vários municípios e 30 euros para utilização dentro de um município. Há ainda gratuitidade até aos 24 anos e um passe de 20 euros para maiores de 65 anos, além de reduções para famílias.

A par da alteração tarifária, foi criada a Carris Metropolitana, com uma rede rodoviária uniformizada e reforço da oferta, conforto e segurança. Em 2025, foram transportados 194 milhões de passageiros, mais 11,5% do que no ano anterior, através de uma frota de cerca de 1.700 autocarros e 12.683 paragens. A produção quilométrica aumentou 72%.

Carlos Carvalho estima que o número de passageiros volte a crescer entre 7% e 9% até final deste ano.

O modelo é apoiado por um programa de financiamento público e bilhética que, entre 2023 e 2025, canalizou mais de 600 milhões de euros para a Carris Metropolitana. O responsável destacou a importância de um financiamento “robusto, coerente e previsível”.

A tecnologia também passou a integrar o sistema, através de painéis com informação em tempo real sobre as carreiras, aplicações para validação de bilhetes e estruturas de apoio aos passageiros nos terminais.

Carlos Carvalho defendeu ainda que o transporte público deve garantir o acesso aos segmentos mais vulneráveis, nomeadamente às pessoas com deficiência.

Para o responsável, o financiamento público é uma condição essencial para assegurar o funcionamento e a atractividade dos sistemas de transporte. “O transporte público conecta comunidades”, afirmou, defendendo que a experiência de Lisboa pode fornecer pistas para outras cidades, embora reconhecendo as diferenças entre os territórios.

Sobre a realidade madeirense, e perante a ausência de metro ou comboio, deixou uma nota de humor: “Qualquer dia andamos de drones, por isso pode ser que seja solução.”