Israel ameaça esvaziar Gaza se Hamas voltar a fazer reféns
O ministro da Defesa de Israel ameaçou hoje evacuar a Cidade de Gaza caso o grupo islamita palestiniano Hamas volte a raptar cidadãos israelitas, como fez durante os ataques de outubro de 2023.
"Se nem que seja um soldado ou civil israelita for raptado, a Cidade de Gaza será evacuada e esvaziada do seu milhão de habitantes", afirmou Israel Katz numa cerimónia em memória da Guerra do Yom Kippur (quarta guerra árabe-israelita) de 1973.
A deslocação forçada de uma população civil pode constituir um crime de guerra, segundo o direito internacional.
A Cidade de Gaza tinha cerca de 700 mil habitantes antes do início da guerra provocada pelo ataque terrorista do Hamas a Israel em 07 de outubro de 2023, em que foram mortas cerca de 1.200 pessoas e mais de duas centenas foram feitas reféns.
Na sua intervenção, Israel Katz ligou a sua ameaça a "diversos relatórios de inteligência", mas não especificou as informações em causa.
"À luz de vários relatórios de inteligência, faço este alerta à organização terrorista e aos seus apoiantes, do Irão a Erdogan: se um único soldado ou civil israelita for raptado, toda a Faixa de Gaza (...) será evacuada, com os seus mais de um milhão de habitantes", reiterou.
Além disso, Katz afirmou que as tropas israelitas não retirarão da chamada Linha Amarela, o perímetro atrás do qual estão posicionadas em Gaza, até que o Hamas "seja derrubado" e o território seja "desmilitarizado, limpo de armas e túneis".
Desde o início da guerra, estima-se que os ataques israelitas tenham devastado aproximadamente 80% da Faixa de Gaza, deixando milhares de pessoas deslocadas e forçadas a viver em tendas ou em casas com uma estrutura precária.
De acordo com a última contagem do Ministério da Saúde de Gaza, as tropas israelitas mataram 73.719 pessoas desde o início da ofensiva, 1.399 delas desde que o cessar-fogo entrou em vigor, há quase um ano.
Apesar da trégua, Israel lança diariamente ataques em Gaza que causam mortes, por vezes utilizando drones para atingir locais específicos, que geralmente atribui a alegados membros do Hamas, mas que frequentemente também matam mulheres e crianças.