CAM exige revisão dos contratos de transporte
CEO alerta para aumento dos custos e diz que gratuitidade agravou despesas das empresas
A revisão dos pressupostos dos contratos de concessão dos transportes públicos é "absolutamente essencial" para garantir a sustentabilidade futura das empresas, alertou ontem Afonso Tavares da Silva, CEO do Grupo Leacock e director da CAM. O responsável defendeu que os contratos actualmente em vigor não estavam preparados para a subida dos custos dos combustíveis e da mão-de-obra, nem para o aumento da procura provocado pela gratuitidade dos transportes.
"Os concursos, por muito bem-vindos, não estavam preparados para suportar uma escalada de preços de combustível e de mão-de-obra como aquela que verificámos", afirmou, considerando que o aumento da procura resultante da gratuitidade "teve um brutal aumento de custos para nós, as empresas".
Para Afonso Tavares da Silva, o problema deve merecer "particular atenção" dos Governos da República e Regional, sob pena de as empresas concessionárias não conseguirem cumprir os seus compromissos.
O responsável falava na apresentação dos oito novos autocarros eléctricos da CAM, um investimento de 5,3 milhões de euros, com IVA, dos quais 2,7 milhões são apoiados pelo PRR.
A nova frota representa, segundo a empresa, uma poupança anual de cerca de 350 mil litros de combustível e uma redução superior a 850 toneladas de CO2 nas emissões. A CAM estima ainda uma redução superior a 70% nos custos energéticos.
Cinco dos novos autocarros serão utilizados no Aerobus e três no Porto Santo. Afonso Tavares da Silva anunciou que o serviço do Aerobus será brevemente reforçado, em resposta ao aumento significativo do tráfego aeroportuário nos últimos cinco anos.
O responsável recordou que o serviço de Aerobus começou a 17 de Setembro de 2000, numa altura em que a aposta representava "um grande risco" para a empresa, devido ao reduzido número de passageiros. Hoje, sublinhou, a evolução foi "absolutamente exponencial".
A nova frota integra sistemas de carregamento inteligente, com carregamento preferencial durante o período de vazio, permitindo aproveitar excedentes de produção de energia renovável. A próxima fase do projecto passa pela instalação de painéis fotovoltaicos para produção própria de energia.
A CAM tem actualmente em curso um esforço de renovação da frota que já permitiu a aquisição de 70 autocarros novos e a criação de 30 postos de trabalho adicionais. A empresa continua, contudo, a procurar motoristas.
Além da questão dos contratos, o director da CAM apontou a necessidade de renovar os abrigos, redenominar as paragens e concluir a instalação do sistema de bilhética, considerando estas medidas "indispensáveis para a melhoria do sistema de transportes".
Afonso Tavares da Silva agradeceu ainda à Câmara Municipal do Funchal a colaboração na criação de uma nova garagem de estacionamento, que deverá melhorar as condições de trabalho dos motoristas.