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Madeira

Funchal é a cidade onde comprar casa mais pesa no orçamento das famílias

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O Funchal é a cidade portuguesa onde as famílias enfrentam o maior esforço financeiro para comprar casa, com a habitação a representar 115% do rendimento líquido familiar, segundo uma análise divulgada esta terça-feira pelo Idealista. Na Madeira, o arrendamento apresenta igualmente uma das situações mais pressionadas do país: 99% do rendimento familiar é absorvido pela renda, valor apenas ultrapassado por Faro, com 101%.

Os números colocam o Funchal no topo da lista das cidades onde o acesso à habitação mais pesa no orçamento das famílias. A nível nacional, a taxa de esforço situa-se nos 82% no arrendamento e nos 76% na compra de casa.

Funchal quase duplica esforço nacional no arrendamento

No mercado de arrendamento, o Funchal apresenta uma taxa de esforço de 99%, muito acima do limite de 33% geralmente considerado recomendado. Significa que, segundo esta metodologia, o custo anual de arrendar uma casa na capital madeirense equivale praticamente ao rendimento líquido anual médio de um agregado familiar.

Apenas Faro apresenta uma situação mais pressionada, com uma taxa de esforço de 101%. Lisboa surge em terceiro lugar, com 80%.

A diferença para outras capitais de distrito é significativa. No Porto, a taxa de esforço é de 69%, enquanto em Setúbal chega aos 66%. Ponta Delgada apresenta 57%, Aveiro 54% e Braga, Évora e Santarém 51%.

No extremo oposto encontram-se cidades como Guarda e Castelo Branco, ambas com 31%, Beja, com 33%, e Bragança, com 34%.

Comprar casa no Funchal exige ainda mais

É, contudo, na compra de habitação que a situação do Funchal se torna particularmente expressiva.

Com uma taxa de esforço de 115%, o Funchal lidera destacadamente entre as 20 cidades analisadas. Lisboa surge em segundo lugar, com 99%, e Faro em terceiro, com 84%.

O valor significa que, de acordo com o modelo utilizado pelo idealista, a prestação anual associada a um crédito habitação com características médias ultrapassaria o rendimento líquido anual médio de um agregado familiar no Funchal.

Porto, com 82%, e Aveiro, com 72%, completam o grupo das cidades onde comprar casa exige um esforço particularmente elevado.

A pressão diminui consideravelmente noutras capitais. Na Guarda, a taxa de esforço para comprar casa é de apenas 20%, seguida de Portalegre e Castelo Branco, ambas com 23%. Bragança apresenta 27%, Beja 30% e Vila Real 31%.

São estas as seis cidades que apresentam taxas de esforço iguais ou inferiores aos 33% considerados como limite recomendado.

Madeira entre os mercados mais difíceis do país

Os dados colocam assim o Funchal numa posição particularmente difícil no panorama nacional da habitação.

Se no arrendamento a capital madeirense ocupa o segundo lugar entre as cidades com maior taxa de esforço, na compra de casa assume a primeira posição, com 115%.

A combinação entre preços de habitação e rendimentos familiares ajuda a explicar a forte pressão sentida pelas famílias que procuram permanecer ou fixar-se na capital madeirense.

O cenário contrasta com o de várias cidades do interior, onde tanto as rendas como os preços de compra representam uma parcela substancialmente menor do rendimento disponível.

Como é calculada a taxa de esforço

Segundo o idealista, a taxa de esforço mede o impacto do custo da habitação no poder de compra dos agregados familiares.

No arrendamento, o indicador corresponde à percentagem do rendimento líquido médio anual de um agregado familiar destinada ao pagamento da renda. Os valores das rendas são obtidos a partir dos dados do idealista, enquanto os rendimentos familiares têm como fonte o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Na compra de habitação, o cálculo considera a percentagem do rendimento líquido familiar destinada ao pagamento de um crédito habitação com características médias de duração e taxa de juro. O modelo foi recentemente atualizado devido à descida das taxas de juro, passando a incorporar dados publicados pelo Banco Central Europeu (BCE).

Os resultados deixam um retrato claro: no Funchal, tanto arrendar como comprar casa continua a representar um esforço financeiro muito superior ao nível considerado sustentável para as famílias.