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Fact Check Madeira

404 euros chegam para um estudante arrendar casa no Funchal?

Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior veio introduzir alterações

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O novo Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior veio introduzir alterações no apoio aos estudantes bolseiros deslocados. As mudanças já vinham sendo anunciadas e foram também noticiadas pelo DIÁRIO.

O novo modelo prevê que os estudantes bolseiros deslocados tenham prioridade no acesso às residências universitárias. Contudo, caso não consigam vaga após a candidatura, poderão beneficiar de uma majoração correspondente à diferença entre o valor considerado para residência estudantil e o custo estimado do alojamento privado no concelho onde estudam.

Para o Funchal, o valor considerado para o alojamento privado é de 404 euros mensais, enquanto em Lisboa pode chegar aos 500 euros.

A medida procura responder à dificuldade de muitos estudantes que são obrigados a procurar alojamento no mercado privado. Mas é precisamente aqui que surge a dúvida colocada por um leitor através das nossas plataformas. “404 euros chegam, de facto, para pagar um alojamento no Funchal?”

No Funchal, os dados mais recentes do Idealista apontam para um preço mediano pedido de 16,8 euros por metro quadrado, em Junho de 2026. O valor representa uma subida de 12,1% face ao mesmo mês do ano anterior e surge depois de, em Abril, o Funchal ter atingido um máximo histórico.

Este indicador não permite dizer quanto custa especificamente um T1 ou um quarto, mas ajuda a perceber a pressão existente no mercado, a qual temos vindo a noticiar com regularidade. Tomando como referência um imóvel de 50 metros quadrados, a aplicação do valor mediano para o mês de Junho resulta numa renda de cerca de 840 euros mensais. Os 404 euros considerados no apoio representariam, neste exercício, menos de metade desse valor.

Mas, atenção, a conta é meramente indicativa e não significa que um T1 de 50 m² custe necessariamente 840 euros. O exercício serve apenas para dar uma ideia da distância entre o valor de referência considerado no apoio e os preços praticados no mercado. Aliás, a avaliar pelas últimas ofertas do mercado, pode custar bem mais…

E o problema não se limita aos apartamentos. Para um estudante que não tenha capacidade financeira para arrendar sozinho um T1, a alternativa passa muitas vezes por procurar um quarto. Mas também aqui os preços praticados no mercado privado podem representar uma parcela muito significativa do orçamento disponível.

Diríamos, após uma rápida pesquisa pelas plataformas de promoção imobiliária, que os 400 euros mal chegariam para arrendar um quarto na capital madeirense. Nos casos apresentados nos quais os valores ficam abaixo será necessário partilhar a casa com 2 ou mais pessoas.

Em Lisboa, para onde se descolam muitos dos universitários madeirenses, a situação é ainda pior. O Idealista registava, em Junho de 2026, um preço mediano pedido de 21,8 euros por metro quadrado na cidade. Um imóvel de 50 m², usando o mesmo exercício meramente indicativo, corresponderia a cerca de 1.090 euros mensais. Os 500 euros previstos para o alojamento representariam menos de metade desse valor.

Por outro lado, é importante não confundir o valor previsto no regulamento com uma renda que o Estado assegure automaticamente a cada estudante.

Os 404 euros no Funchal e os 500 euros em Lisboa são valores de referência para o cálculo da majoração prevista para os estudantes bolseiros deslocados que, depois de se candidatarem, não consigam vaga numa residência universitária. O valor efectivamente recebido depende das regras de atribuição da bolsa e da situação concreta de cada estudante.

Olhando aos preços actuais do arrendamento, esses valores não garantem que o estudante consiga pagar a totalidade de um alojamento privado – seja um T1 ou, em muitos casos, uma solução de quarto – sem suportar uma parcela significativa da despesa.

A questão ganha ainda maior importância quando se considera que o alojamento é apenas uma das despesas de quem estuda longe de casa. Alimentação, transportes, material académico e restantes custos de vida continuam a ficar a cargo do estudante e da família.

Conclui-se que, apesar das medidas de apoio aos universitários, as verbas a atribuir no Funchal e em Lisboa, mesmo que ao seu limite máximo, não chegam para suportar, na totalidade, um arrendamento nestes concelhos que são dos que mais ‘sobem’ nas estatísticas mensais e anuais do imobiliário.

Será que “404 euros chegam, de facto, para pagar um alojamento no Funchal?”. Questão de um dos nossos leitores, sobre as novas regras de atribuição de bolsas de estudo no Ensino Superior.