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Naufrágio no Zimbabué faz 44 mortos

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Foto Shutterstock

O número de mortos no naufrágio de um barco no lago Kariba, no Zimbabué, subiu para 44, confirmou hoje a polícia, enquanto o Presidente do país vizinho de Moçambique declarou o estado de calamidade.

"A polícia do Zimbabué [ZRP, na sigla em inglês] informa o público de que o número de mortos no acidente de uma embarcação (...) em Kariba ascende a 44", indicaram as forças de segurança na rede social X.

Num comunicado divulgado duas horas antes, a polícia tinha contabilizado 13 corpos recuperados e 67 pessoas resgatadas após o naufrágio, na tarde de terça-feira.

A polícia indicou ainda que, embora as primeiras informações apontassem para que a embarcação transportava 120 pessoas (108 adultos e 12 menores) entre as localidades de Chalala e Kariba, as investigações policiais indicavam que "o barco poderá ter transportado mais pessoas".

As forças de segurança divulgaram estes números depois de a Unidade de Proteção Civil (CPU, na sigla em inglês), a agência nacional de gestão de catástrofes, ter contabilizado 15 cadáveres recuperados e 77 pessoas resgatadas.

Segundo a CPU, viajavam no barco "114 passageiros adultos [número confirmado através dos bilhetes registados nas contas], cinco tripulantes e um número indeterminado de menores com idade inferior à exigida para pagar bilhete". A embarcação tinha capacidade máxima para 90 pessoas, sem contar com a tripulação.

Perante estes acontecimentos, o Presidente, Emmerson Mnangagwa, declarou o estado de calamidade, que "permite ao Governo mobilizar medidas e recursos extraordinários necessários para prestar assistência e proteger as pessoas afetadas", segundo um comunicado do ministro zimbabueano da Administração Local e Obras Públicas, Daniel Garwe.

A barragem de Kariba foi construída entre 1956 e 1959 por engenheiros italianos no rio Zambeze, na fronteira entre o Zimbabué e a vizinha Zâmbia, dando origem ao lago com o mesmo nome, a maior albufeira artificial do mundo, com uma capacidade de cerca de 180 quilómetros cúbicos.

A central de Kariba e a Central Termoelétrica de Hwange são as duas principais fontes de produção de energia do Zimbabué, cujos equipamentos ficaram obsoletos, embora o Governo tenha prometido obras de "reabilitação" do serviço, que deverão terminar em 2030.

O Zimbabué sofre cortes de eletricidade até 14 horas por dia há 45 anos, o que obrigou indústrias, estabelecimentos comerciais e cidadãos a recorrerem a métodos alternativos mais dispendiosos.