44 navios desviados desde início do bloqueio naval
As forças norte-americanas desviaram 44 embarcações comerciais desde o início do bloqueio naval aos portos iranianos, além de terem inutilizado dois navios e abordado outros dois, informou esta segunda-feira o Comando Central militar (CENTCOM) de Washington.
Os dados do CENTCOM sobre o número de embarcações comerciais visadas por tentarem contornar o bloqueio marítimo ao Irão foram divulgados nas redes sociais, juntamente com uma gravação áudio na qual um oficial norte-americano intima por rádio a tripulação de um navio a mudar de rumo, sob pena de sofrer uma abordagem.
Apesar de ambos os lados terem assinado um memorando de entendimento em 17 de junho para cessar os ataques militares e iniciarem um diálogo durante dois meses com vista a um acordo de paz definitivo, as ofensivas cruzadas recomeçaram.
O aumento da tensão levou Teerão a repor as restrições no estreito de Ormuz e Trump a ordenar o restabelecimento do bloqueio naval à costa iraniana.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou hoje a ameaçar Teerão e condicionou o levantamento do bloqueio naval ao território iraniano a "um acordo" ou a "uma rendição total".
Através da sua rede social, a Truth Social, o líder norte-americano reiterou que estão em curso negociações entre os Estados Unidos e o Irão, uma alegação negada pela diplomacia de Teerão.
Donald Trump criticou a atitude "incrivelmente hipócrita" da liderança iraniana pela sua recusa em confirmar que está em conversações de paz com Washington.
Para o dirigente norte-americano, Teerão está a recorrer "mais uma vez à sua retórica habitual, alegando que controlará firmemente o estreito de Ormuz, quando na realidade já está sob o controlo absoluto da Marinha dos Estados Unidos", referindo-se ao bloqueio militar imposto pela República Islâmica à navegação comercial desde o início da guerra.
"Nada vai para o Irão a menos que o permitamos, e nada acontecerá a menos que haja um acordo ou uma rendição total. Quer o Irão o admita ou não, o facto é que estamos a falar de uma solução para um problema que eles próprios criaram ao longo de décadas", acrescentou.
Trump anunciou no domingo que Washington e Teerão retomariam hoje as conversações de paz, após terem ficado paralisadas durante a escalada das hostilidades nas últimas semanas.
Segundo o líder da Casa Branca, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar pediram-lhe que suspendesse os ataques dos Estados Unidos na expectativa de um acordo com Teerão.
No entanto, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, desmentiu hoje que a República Islâmica esteja em negociações com os Estados Unidos e que as questões relacionadas com Washington serão analisadas e decididas com base nos desenvolvimentos futuros.
Baghaei indicou que, atualmente, Teerão está apenas em conversações com Omã, focadas num acordo sobre uma rota que garanta a passagem segura dos navios pelo estreito de Ormuz, por onde transitava 20% do crude mundial antes do conflito. A instabilidade securitária na zona fez disparar os preços internacionais dos bens petrolíferos.