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A Guerra Mundo

Lavrov diz que Ocidente é hipócrita e "sabota" solução negociada

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O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, acusou hoje, em Maputo, o Ocidente de agir de "forma hipócrita" ao apelar à solução negociada do conflito na Ucrânia, mas "sabotando" essa pretensão, avisando que a "boa vontade" acabou.

"Não vamos continuar a acreditar no Ocidente quando este afirma que pretende soluções negociadas. Essa reserva de boa vontade e esperança esgotou-se definitivamente", disse Lavrov, em declarações aos jornalistas após reunir-se com a ministra das Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Maria dos Santos Lucas.

No encontro com a chefe da Diplomacia moçambicana, depois de reunir-se com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, o governante russo disse ter apresentado a "análise da situação atual em torno da Ucrânia, incluindo as ações do Ocidente".

O Ocidente, "fingindo estar disposto a negociar, passou agora - tal como foi anunciado pelos europeus - a apresentar ultimatos abertos à Federação Russa", disse.

"O Ocidente continua, de forma hipócrita, a apelar a uma solução negociada. Foram alcançados acordos negociados, sob a garantia do Ocidente, em 2014, em 2015 e em 2019. Em todos estes casos, as garantias do Ocidente foram destruídas pelo próprio Ocidente. Acabaram por se revelar falsas. E, da mesma forma, em 2022 já havia sido alcançado um acordo entre a Rússia e a Ucrânia, que foi sabotado pelo mesmo Ocidente, de forma aberta e pública", insistiu Lavrov, garantindo que a Rússia, tal como avançado pelo Presidente russo, Vladimir Putin, pretende "alcançar os objetivos que foram definidos em junho de 2024" para a Ucrânia.

"Reiterámos o nosso agradecimento aos nossos amigos moçambicanos pela sua compreensão das causas profundas do conflito, pela sua posição ponderada - diria mesmo fundamentada e responsável - que assumem sobre estas questões na Organização das Nações Unidas, não apoiando o desígnio do Ocidente de 'ucranizar' praticamente toda a agenda da Organização Mundial", disse ainda o chefe da diplomacia russa, que visitou nos últimos dias várias capitais africanas.

Já a ministra moçambicana defendeu no encontro com o homólogo russo que Moçambique e África são "a favor do diálogo" e "de uma solução negociada e pacífica" para o conflito.

"Também falámos da situação no Golfo [Pérsico, Irão]. E nós partilhamos o impacto que está tendo aqui em Moçambique, que muitos dos nossos produtos, como produtos de combustíveis e outros, subiram quase acima de 40%, impactando na vida dos moçambicanos", lamentou a ministra.

Na resposta, o ministro Lavrov defendeu que o conflito "só pode ser resolvido" através "de um acordo que reflita os interesses de todas as partes".

"Não apenas do Irão, dos seus vizinhos, dos Estados Unidos, mas de todos os países que, de uma forma ou de outra, sofrem com o impacto negativo na economia mundial na situação atual", concluiu.