'Camacha de Ontem - Madeira de Sempre' regressa para celebrar 350 anos de história da freguesia
VII edição da mostra etnográfica realiza-se nos dias 18 e 19 de Julho
A VII edição da 'Camacha de Ontem – Madeira de Sempre' foi apresentada esta tarde, na Adega do Pomar, na Camacha, com a organização a destacar a afirmação da iniciativa como uma referência da etnografia madeirense e o Governo Regional a anunciar um reforço da promoção do evento junto dos visitantes da Região.
A apresentação contou com a presença do secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, do presidente da Direcção da ADESCA, Francisco Mota, do presidente da Assembleia Geral da associação, José Alberto Gonçalves, e de Gilda Nóbrega, membro da organização.
Na sua intervenção, Eduardo Jesus considerou que esta é "uma daquelas iniciativas que tenho um prazer especial de acompanhar", sublinhando que se trata de "um daqueles eventos com grande honestidade", construído a partir de "uma rigorosíssima investigação". "Aqui não há desenrasques, nem há aldrabices. Aqui é o que é assumido claramente. E esse critério marca toda a diferença", afirmou. O governante enalteceu o rigor da recriação histórica, considerando que o evento "engrandece também a Camacha no exemplo que está a dar". "Trata-se de um evento de grande interesse histórico e cultural", afirmou, acrescentando que cada edição parte de um tema específico, alvo de investigação e posteriormente recriado através dos diversos quadros etnográficos.
Para Eduardo Jesus, a iniciativa assume também uma dimensão pedagógica. "Todos nós gostamos de História. Todos nós encontramos na História uma razão para sermos como somos e para compreender o dia-a-dia e aquilo que aí vem", afirmou, defendendo que a recriação histórica "é uma forma de formar e de educar as pessoas".
O secretário regional anunciou ainda que a Associação de Promoção da Madeira irá reforçar a divulgação da iniciativa. "Nós vamos, através da Associação de Promoção, divulgar, na semana que antecede o dia 18, este mesmo evento através de todos os canais que temos, que são maioritariamente digitais", explicou.
Além da divulgação antecipada, será destacada uma equipa para produzir novos conteúdos audiovisuais durante o fim de semana. Na sua opinião, a etnografia constitui um dos principais factores de atracção turística da Madeira.
Na ocasião, destacou igualmente o envolvimento da Câmara Municipal de Santa Cruz na organização desta edição, considerando tratar-se de "uma novidade" que merece ser valorizada. "A cultura não tem cor, não tem política, é acima de tudo um elemento que tem que ser preservado e respeitado por todos nós", afirmou. "Não há aqui uma disputa de território, há sim uma obrigação de quem governa preservar a cultura."
Durante o discurso, Eduardo Jesus dirigiu ainda palavras de reconhecimento aos jovens empresários Ricardo Miranda e Márcio, destacando o contributo que têm dado para dinamizar a freguesia. "São pessoas jovens que vieram trazer sangue novo à Camacha", afirmou, acrescentando que "uma terra como a Camacha, que é o berço da cultura da Madeira, não pode ficar esquecida".
"A Camacha merece e a Camacha precisa de vocês. De vocês e de mais 50 iguais", afirmou, agradecendo também o envolvimento de todas as associações, grupos folclóricos, famílias e voluntários que participam na iniciativa.
José Alberto Gonçalves recordou que a mostra nasceu da vontade das associações locais em valorizar a identidade da freguesia. "É a 7.ª edição do festival Camacha de Ontem – Madeira de Sempre, que é uma mostra etnográfica que tem vindo a ser uma marca que movimenta a Camacha", afirmou.
Segundo explicou, a iniciativa surgiu porque "sentimos que a Camacha tem capacidade para desempenhar com qualidade, com empenho e com autenticidade um evento desta natureza", destacando que o projecto resulta "fundamentalmente do entusiasmo das instituições e dos grupos já constituídos".
O responsável lembrou ainda que o evento foi reconhecido desde a primeira edição como de interesse cultural regional.
Este ano, o principal tema do cortejo etnográfico será a celebração dos 350 anos da freguesia da Camacha, criada em 1676. José Alberto Gonçalves revelou que os nove carros alegóricos irão retratar diferentes aspetos da história local, desde a agricultura, a tinturaria artesanal e os vimes às profissões tradicionais, os santos populares, a cidra, o pão por Deus, os preparativos para a festa e o arraial.
A programação inclui ainda mostra gastronómica, dança coletiva, missa participada, atuações da Banda Paroquial da Camacha, grupos de teatro, grupos folclóricos, orquestra de bandolins e diversas associações da freguesia.