EUA vão retirar Damasco da lista de países que patrocinam o terrorismo
O Presidente norte-americano anunciou hoje que vai retirar a Síria da lista de países que apoiam o terrorismo, depois de ter sido o primeiro Estado a figurar na mesma desde dezembro de 1979.
Donald Trump anunciou esta medida numa reunião com o homólogo sírio, Ahmad al-Sharaa, à margem da cimeira da NATO em Ancara.
Entretanto, a administração norte-americana já notificou o Congresso da vontade de revogar esta medida, que é fundamental para o levantamento de sanções a este país devastado por uma guerra civil (2011-2024).
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, referiu que Trump informou o Congresso de que os EUA vão em breve retirar a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo, no âmbito de um processo de normalização com o novo governo do país que se prolongará por um ano.
"O levantamento das sanções à Síria vai desbloquear o comércio e o investimento internacionais, dar à Síria uma oportunidade de se reconstruir e abrir um novo capítulo para o povo sírio", afirmou Rubio, em comunicado.
"Uma Síria estável, unificada e em paz consigo e com os vizinhos beneficia não só a região, mas o mundo inteiro", acrescentou.
Em junho de 2025, Trump assinou um decreto presidencial que pôs fim a uma série de sanções económicas, antes de revogar, algumas semanas mais tarde, a designação de Estado patrocinador do terrorismo atribuída ao Presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, que assumiu o poder depois de destituir o ex-líder Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
No entanto, o que permanece intacto é um importante conjunto de sanções aprovadas pelo Congresso, dirigidas a quem fizer negócios com ou preste apoio às Forças Armadas, aos serviços secretos ou a outras instituições suspeitas da Síria.
Embora a administração Trump tenha aprovado isenções temporárias a essas sanções, conhecidas como Lei de César, estas só podem ser revogadas permanentemente por via legislativa.
Na capital turca, Trump elogiou ainda o Presidente interino sírio pelos esforços para estabilizar o país árabe desde a queda do regime de Al-Assad, em dezembro de 2024.
"A Síria sofreu uma reviravolta tão rápida como nunca antes tinha visto. A Síria tornou-se um lugar muito estável (...) é espantoso. Num curto espaço de tempo, estabilizou-se realmente, e estamos orgulhosos disso", afirmou.
Sobre Al-Sharaa, Trump acrescentou: "É um grande líder, é respeitado por todos, incluindo por mim, e estamos orgulhosos de o ter connosco".
O chefe de Estado sírio foi convidado pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para participar nesta cimeira da NATO.
Trump, que é próximo de Erdogan, descreveu Al-Sharaa como um líder forte ao chegar à na Turquia na terça-feira.
"Graças ao Presidente [Erdogan], temos uma relação muito boa com o novo líder da Síria: ele fez um trabalho incrível num ano e meio e uniu todo o país", salientou o líder republicano perante a imprensa, ao lado de Erdogan.
Na segunda-feira, o Presidente sírio recebeu o homólogo francês, Emmanuel Macron, numa visita que ficou marcada pelo anúncio do restabelecimento de relações ao nível de embaixadores, mas também pela explosão de duas bombas perto do hotel do chefe de Estado francês.
Macron também reforçou o apoio de França ao povo sírio e anunciou a devolução de ativos da família Al-Assad, bem como a devolução de obras de arte que haviam sido emprestadas antes da guerra.
A visita de Macron foi a primeira de um chefe de Estado do ocidente ao país desde o fim da guerra civil.
Al-Sharaa, por sua vez, elogiou o "papel construtivo" da França, "amiga do povo sírio".
Ao lembrar que a Síria tem enormes necessidades depois de ter sido devastada por 14 anos de guerra civil, o líder sírio afirmou que o país "precisa de muitas parcerias com empresas de diferentes setores".
Al-Sharaa apresentou a Síria como uma "enorme oportunidade" para empresas estrangeiras "reconstruírem infraestruturas destruídas".