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Madeira

Um em cada dez madeirenses presta cuidados a familiares dependentes adultos

30,9% dedicam, em média, 30 ou mais horas por semana a essa tarefa, uma percentagem superior à do País

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Estudo mostra também que 23,1% da população madeirense entre os 18 e os 74 anos presta cuidados a filhos menores de 15 anos

Um em cada dez residentes na Madeira, entre os 18 e os 74 anos, presta cuidados regulares a familiares dependentes com 15 ou mais anos, uma proporção superior à registada a nível nacional (7,1%). A conclusão consta do módulo 'Conciliação da vida profissional com a vida familiar', divulgado esta quarta-feira pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM), que traça um retrato das dificuldades sentidas pelas famílias na gestão das responsabilidades profissionais e familiares.

Além de serem mais numerosos do que no restante país, os cuidadores madeirenses enfrentam uma carga horária significativa. Entre aqueles que prestam assistência a familiares dependentes, 30,9% dedicam, em média, 30 ou mais horas por semana a essa tarefa, uma percentagem superior aos 28% registados a nível nacional, evidenciando o peso que estas responsabilidades representam no quotidiano de muitas famílias.

O estudo mostra também que 23,1% da população madeirense entre os 18 e os 74 anos presta cuidados a filhos menores de 15 anos, um valor muito próximo da média nacional (22,6%). Já a prestação de cuidados a netos da mesma faixa etária é menos frequente na Região, abrangendo 3,7% da população, abaixo dos 5,2% observados em Portugal.

No que diz respeito às respostas de apoio à infância, a Madeira apresenta um recurso mais reduzido aos serviços de acolhimento. Apenas 41,8% dos inquiridos com filhos menores de 15 anos afirmaram recorrer regularmente a creches, jardins de infância ou outras respostas semelhantes, enquanto no conjunto do país essa percentagem sobe para 51,6%. Em sentido inverso, uma parte das famílias continua a gerir os cuidados sem apoio formal: entre os que não utilizam estes serviços, 10,8% admitiram que as crianças permanecem, por vezes, sem supervisão directa, tomando conta de si próprias.

Horários do trabalho são o maior obstáculo à conciliação da vida profissional com a familiar

As dificuldades em compatibilizar a vida profissional com as responsabilidades familiares continuam igualmente a estar associadas à organização do trabalho. Os horários prolongados foram identificados por 11,1% dos trabalhadores com responsabilidades de prestação de cuidados como um dos principais obstáculos à conciliação, seguindo-se a imprevisibilidade dos horários ou a existência de horários atípicos, apontada por 11% dos inquiridos. Ambos os indicadores situam-se muito próximos da média nacional, demonstrando que a gestão do tempo continua a ser um dos principais desafios para quem concilia emprego e cuidados familiares.

A análise da DREM aborda ainda as licenças parentais. Entre a população empregada e não empregada com experiência profissional anterior, dos 18 aos 54 anos, que usufruiu deste direito, 21,7% interrompeu a actividade profissional por um período não superior a um mês, um resultado praticamente idêntico ao verificado em Portugal (21,8%).

Realizado em 2025 no âmbito do Inquérito ao Emprego, este módulo tem como objectivo avaliar de que forma as responsabilidades familiares e profissionais se condicionam mutuamente, identificando os principais constrangimentos sentidos pelas famílias e as estratégias utilizadas para assegurar os cuidados a crianças e familiares dependentes.

Os resultados agora divulgados revelam que, na Madeira, o envelhecimento da população e o peso crescente dos cuidados informais coexistem com dificuldades persistentes na conciliação entre trabalho e vida familiar.