Rui Abreu destaca solidariedade madeirense no Junquito
Rui Abreu visitou o centro de apoio do Junquito e saiu impressionado com a capacidade de resposta de uma comunidade pobre, profundamente afectada pelo duplo sismo, mas determinada a reconstruir a vida sem esperar por ajuda oficial.
No coração desta zona montanhosa de Caracas, onde vivem muitos madeirenses e luso-descendentes ligados sobretudo à agricultura, o governante encontrou uma rede de apoio organizada pela própria população, com alimentos, medicamentos, roupa, produtos de higiene e até máquinas alugadas por privados para limpar escombros.
Para Rui Abreu, o que se vê no Junquito confirma aquilo que tem dito ao longo da visita à Venezuela: “a nossa comunidade é um exemplo ao nível da solidariedade social”. O governante sublinhou que, perante relatos de ausência de apoio oficial, são os próprios habitantes que estão “a limpar, a alugar máquinas e a reerguer-se para refazer as suas vidas”.
A visita permitiu-lhe também ouvir histórias de quem tentou viver fora da Venezuela, nomeadamente na Madeira ou em Espanha, mas acabou por regressar ao Junquito. Rui Abreu considerou “incrível” essa ligação à terra, sobretudo quando há famílias dispostas a reconstruir edifícios destruídos, mesmo perante prejuízos que podem chegar “a um milhão de dólares”.
O representante do Governo Regional comparou a dinâmica solidária do Junquito à realidade madeirense, onde muitas comunidades se organizam em torno da paróquia, dos vizinhos e das famílias. “Faz lembrar um pouco a Madeira”, afirmou, ao descrever uma comunidade que se junta para apoiar quem mais precisa.
Rui Abreu rejeitou ainda as críticas de que as visitas oficiais se limitam a empresários madeirenses de sucesso.
No Junquito, disse, está-se perante “a Venezuela profunda”, feita de trabalho agrícola, dificuldades sociais e forte presença madeirense. “Já visitei bairros e favelas aqui na Venezuela e, para mim, é um grande prazer estar com estas pessoas”, afirmou.
Entre casas danificadas, negócios destruídos e famílias a pedir ajuda, Rui Abreu encontrou uma comunidade ferida, mas mobilizada. Uma comunidade que, nas suas palavras, mostra “um espectáculo” de solidariedade e continua a levantar-se com as próprias mãos.