Governo Regional cria estrutura para a coordenação do apoio humanitária para a Venezuela
Rui Abreu deslocou-se hoje para a Venezuela
O Governo Regional da Madeira vai criar um Gabinete de Coordenação de Apoio Humanitário para a Venezuela, uma estrutura interdepartamental destinada a coordenar toda a resposta da Região Autónoma da Madeira às consequências dos sismos que recentemente atingiram Caracas.
Segundo nota da Presidência do Governo Regional, o Gabinete será liderado pela Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa (DRCCE) e contará com a com a colaboração da Secretaria Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude e da Secretaria Regional de Saúde e Proteção Civil, assumindo como missão "centralizar informação, articular a actuação com as entidades institucionais competentes e coordenar todas as ações de solidariedade e ajuda humanitária dirigidas à Venezuela, com origem na Região."
O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, refere, na nota, que a a Madeira “não fica indiferente ao sofrimento vivido pelas comunidades madeirenses e portuguesas na Venezuela”, defendendo que “este é o momento em que a solidariedade tem de se traduzir em ações concretas, rápidas e eficazes”.
“A Madeira tem uma responsabilidade moral e afetiva para com a sua diáspora. Quando os nossos emigrantes enfrentam uma tragédia desta dimensão, a Região responde de forma unida, organizada e solidária. É esse o compromisso que hoje assumimos”, afirma ainda.
No âmbito desta resposta, o Governo Regional definiu já um conjunto de medidas extraordinárias de apoio às comunidades madeirenses afectadas.
O comunicado explica que entre as primeiras decisões está o "reforço excepcional do mecanismo de apoio ao movimento associativo da diáspora. A dotação inicialmente prevista pela DRCCE, no valor de 60 mil euros, será aumentada para 150 mil euros, sendo esta verba integralmente canalizada para associações de carácter social e projetos de apoio desenvolvidos pela diáspora madeirense na Venezuela."
O principal objectivo é reforçar a capacidade de resposta das instituições que se encontram no terreno, apoiando as famílias mais vulneráveis que foram atingidas pela catástrofe.
“Queremos garantir que os apoios chegam rapidamente às pessoas que mais precisam, através das instituições que conhecem a realidade local e que diariamente acompanham as famílias afetadas”, refere Miguel Albuquerque.
Outra das prioridades passa pela criação de uma Conta Solidária Internacional, promovida pela DRCCE, em parceria com o Conselho da Diáspora Madeirense, destinada a financiar projetos de emergência e de apoio humanitário na Venezuela.
Esta será uma forma de envolver todas as comunidades madeirenses na onda solidária para com os conterrâneos que atravessam dificuldades naquele país sul-americano.
Simultaneamente, será disponibilizada pela Cruz Vermelha Portuguesa uma Conta Solidária Regional destinada a apoiar associações, instituições particulares de solidariedade social e outras iniciativas solidárias para onde reverterão os fundos angariados na sociedade civil, empresas, instituições e cidadãos.
Quando estiver definida, pelas instituições no terreno, as necessidades reais da população, será estruturada uma campanha de recolha de bens. A definição destes bens será efectuada em articulação com as entidades nacionais e internacionais de ajuda humanitária, que operam na Venezuela, garantindo que os materiais enviados correspondem às necessidades reais da população e que o seu transporte possa ser realizado de forma célere, segura e eficaz.
"A Madeira voltará a demonstrar que é uma terra de emigrantes, de afectos e de solidariedade. Temos uma comunidade que sempre honrou a Região além-fronteiras e agora é o momento de retribuir esse legado, mobilizando todos os madeirenses para uma causa que nos une", refere Albuquerque.
Com este conjunto de iniciativas, o Governo Regional da Madeira pretende "assegurar uma resposta coordenada, eficaz e solidária perante uma das maiores tragédias naturais registadas recentemente na Venezuela, reafirmando o compromisso permanente da Região com as comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo."
Rui Abreu na Venezuela para acompanhar a comunidade
A par deste conjunto de iniciativas, tal como já tinha sido avançado por Miguel Albuquerque na passada sexta-feira, o Chefe de Gabinete de Miguel Albuquerque, Rui Abreu, deslocou-se esta quarta-feira para a Venezuela.
Miguel Fernandes Luís , 25 Junho 2026 - 09:39
A deslocação, que alberga uma das maiores comunidades de emigrantes madeirenses no mundo, ocorre na sequência dos terramotos registados no passado dia 24 de Junho, os quais, como é do conhecimento público, causaram um ainda indeterminado número de perda de vidas humanas e materiais.
No estado de Vargas, em particular em La Guaira – uma das zonas mais atingidas e onde residem muitos madeirenses e lusodescendentes – Rui Abreu visitará, acompanhado dos Conselheiros das Comunidades Madeirenses, as áreas afetadas e contactará a comunidade, as instituições, assim como a Embaixada de Portugal na Venezuela e o Consulado Geral em Caracas, no sentido de estabelecer o quadro mais fidedigno possível da atual situação dos nossos concidadãos naquele país da América do Sul.
Rui Abreu viaja para a Venezuela em representação do Presidente do Governo, o qual, aquando do anúncio da viagem do seu Chefe de Gabinete, advertiu para a necessidade de estarmos preparados para uma situação confrangedora, manifestando a sua profunda solidariedade para com os madeirenses e lusodescendentes afetados pelos dois abalos consecutivos de 7,2 e 7,5 na escala de Richter.
As entidades regionais e o próprio Presidente do Governo têm, desde a primeira hora, encetado todos os esforços para acompanhar a situação da comunidade no país, quer através de contactos com as instituições e associações da nossa diáspora, quer com a Embaixada de Portugal em Caracas, tendo ainda ontem conversado com o Embaixador Manuel Frederico Pinheiro da Silva.