Centro de apoio no Junquito já assistiu mais de 500 pessoas
Desde o dia do sismo que a porta do centro de apoio do Junquito praticamente não fecha. Todos os dias chegam dezenas de famílias à procura de medicamentos, alimentos, roupa ou produtos de higiene. Muitas perderam a casa. Outras continuam sem trabalho. Quase todas carregam a mesma incerteza sobre o futuro.
À frente desta estrutura está Ana María, filha de madeirenses naturais dos Canhas, que coordena uma resposta humanitária construída quase exclusivamente com a solidariedade da comunidade.
Em menos de duas semanas, o centro já prestou apoio a mais de 500 pessoas, recebendo diariamente entre uma centena e 120 utentes.
A procura mantém-se constante, obrigando os voluntários a reorganizar diariamente os donativos que continuam a chegar.
A ajuda é diversificada. Nas prateleiras acumulam-se medicamentos para adultos e crianças, alimentos, produtos de higiene, roupa e até ração para animais, uma necessidade que também aumentou depois do terramoto.
No local funciona ainda um posto de atendimento médico, onde uma médica voluntária observa os doentes e prescreve os tratamentos antes da entrega da medicação.
Grande parte dos bens distribuídos resulta de donativos particulares, de vizinhos e de empresários que decidiram mobilizar-se desde as primeiras horas da tragédia. Entre eles destaca-se a comunidade portuguesa, cuja presença continua a marcar profundamente esta região montanhosa da Venezuela.
Ana María explica que muitos agricultores portugueses deslocam-se regularmente ao centro para entregar alfaces, legumes e outras hortaliças produzidas nas suas explorações, permitindo confeccionar refeições e apoiar as famílias mais vulneráveis.
O Junquito, recorda, já era uma das zonas mais pobres dos arredores de Caracas antes do terramoto. A destruição agravou ainda mais essa realidade, deixando muitas pessoas sem habitação e sem qualquer fonte de rendimento.
A forte presença madeirense continua, no entanto, a ser uma das marcas da região. Filha de emigrantes naturais dos Canhas, Ana María estima que uma em cada dez pessoas que vivem no Junquito seja portuguesa ou descendente directa de portugueses, uma comunidade que, mais uma vez, assumiu um papel decisivo na resposta à emergência.
Enquanto as necessidades continuam a crescer, o centro de apoio permanece de portas abertas, sustentado pelo trabalho de dezenas de voluntários e pela solidariedade de uma comunidade que se recusa a deixar os seus para trás.