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Milhares continuam a concentrar-se junto à fronteira de Ceuta

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Milhares de pessoas continuam hoje à tarde a concentrar-se na cidade marroquina de Fnideq e a dirigir-se à fronteira com o enclave espanhol de Ceuta, noticiou a agência EFE, que tem jornalistas no local.

Estes milhares de pessoas formam "uma coluna que alcança os cinco quilómetros", entre o centro de Fnideq e a fronteira com Ceuta, relatou a EFE, numa notícia divulgada pelas 17:30 de Lisboa.

São na maioria jovens e chegam a pé, em motas ou em carro a Fnideq, segundo a agência espanhola.

Milhares de pessoas oriundas de Marrocos cruzaram hoje de forma ilegal a fronteira para o lado de Ceuta, depois de nos últimos dias mais de 1.500 terem alcançado o enclave espanhol a nado, de acordo com as autoridades locais.

Ao início da manhã, ainda antes da entrada massiva de pessoas a pé em Ceuta, o presidente da cidade autónoma espanhola, Juan Jesús Vivas, disse que o enclave estava já em "emergência humanitária" por causa dos entre 1.500 a 2.000 migrantes que chegaram ao território a nado nos últimos dez dias e pediu ajuda e intervenção do Estado central, incluindo o envio de militares.

Horas mais tarde, por volta das 12:30 (11:30 em Lisboa), milhares de pessoas dirigiram-se em simultâneo à fronteira de Ceuta desde Marrocos e cruzaram a pé para o lado espanhol, algumas saltando vedações e outras contornando o pontão sobre o mar que existe num dos limites do enclave.

A situação repetiu-se horas depois, por volta das 15:30, segundo vários meios de comunicação espanhóis que estão em Ceuta e Fnideq, que contam como as polícias dos dois lados não conseguiram impedir a avalanche de pessoas.

O centro de acolhimento temporário de imigrantes de Ceuta já estava sobrelotado esta manhã e há agora mais de mil pessoas nas imediações à espera de serem atendidas, segundo os jornalistas no local e fontes policiais.

Por outro lado, os meios de comunicação relataram como a atividade comercial em Ceuta está quase parada, com o fecho à tarde de bares, restaurantes e lojas.

Tanto Espanha como Marrocos atribuíram esta crise migratória em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países.

Os dois governos anunciaram também um acordo para o repatriamento, "o antes possível", das pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular nos últimos dias.

Espanha garantiu também um reforço de meios para normalizar a situação em Ceuta.

"Estamos a mobilizar todos os recursos necessários, a trabalhar com as autoridades marroquinas e internacionais e a preparar as medidas necessárias para o regresso à normalidade o mais rapidamente possível", afirmou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, numa mensagem nas redes sociais.

"As redes de tráfico de pessoas estão a instrumentalizar uma sentença judicial para fomentar o fluxo de migrantes sem documentos, maioritariamente jovens", disse, por seu turno, o Ministério da Administração Interna (MAI), num comunicado sobre a situação em Ceuta.

Relatos de migrantes citados por meios de comunicação social espanhóis falam num "efeito chamada" desencadeado por uma sentença do Supremo Tribunal de Espanha do início deste mês segundo a qual pessoas que chegam ao país por mar, de forma ilegal, não podem ser devolvidas imediatamente às autoridades de outro Estado.

Essa entrega a autoridades de outro país só se pode aplicar a quem entra em Espanha "superando os elementos de contenção fronteiriça estabelecidos, como vedações", decidiu o tribunal.