Cinco migrantes afegãos morrem devido ao calor e 14 continuam desaparecidos
Equipas de socorro do Afeganistão procuravam hoje 14 pessoas desaparecidas num deserto do sudoeste do país, após a descoberta dos corpos de cinco migrantes que morreram devido ao calor intenso enquanto tentavam chegar ao Irão.
O grupo de afegãos tinha iniciado a viagem rumo à fronteira iraniana há pouco mais de uma semana, partindo da província de Nimroz, uma das mais quentes e áridas do país, onde as temperaturas ultrapassam atualmente os 45º Celsius.
"O veículo deles avariou durante uma tempestade e ficou atolado na areia. O condutor teve de caminhar até zonas habitadas para encontrar uma solução ou alguém que pudesse resolver o problema, mas perdeu-se", afirmou o porta-voz da polícia de Nimroz, Gul Mohammad Qudrat.
"A polícia encontrou-o e levou-o para o hospital, pois estava exausto, sofria de desidratação e dos efeitos do calor", prosseguiu, sem especificar exatamente quando o motorista foi encontrado.
Os corpos de cinco migrantes que se encontravam no veículo avariado foram posteriormente encontrados mortos, de exaustão e sede, disse a polícia.
Entretanto, o motorista fugiu do hospital e a polícia está à sua procura.
"Ainda não há notícias de 14 pessoas [dadas como desaparecidas], e as operações de busca continuam na zona de Chahar Burjak, na província de Nimroz", precisou Qudrat.
O Irão, cuja língua é falada pelos afegãos, é visto como um país que oferece mais oportunidades do que o Afeganistão, mas as vias legais de entrada são escassas.
Um médico do hospital provincial de Nimroz indicou à agência de notícias France-Presse que dois irmãos faziam parte das cinco vítimas mortais.
"Vemos este tipo de casos todos os dias, há muitas mortes porque as pessoas se perdem neste percurso", acrescentou o médico, que pediu para não ser identificado por razões de segurança.
As cinco pessoas que morreram são originárias da província de Balkh, no norte do Afeganistão, a centenas de quilómetros de Nimroz, disse.
Embora as temperaturas possam atingir valores muito elevados no verão nas zonas fronteiriças entre o Afeganistão e o Irão, no inverno descem para valores igualmente perigosos.
Em dezembro passado, pelo menos 18 afegãos que tentavam a perigosa travessia para o Irão morreram de frio.
De acordo com a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA), o país recebeu quase sete milhões de afegãos regressados desde o final de 2023, na sequência de deportações e regressos sobretudo do Paquistão e do Irão, agravando a pressão sobre comunidades já marcadas pela pobreza e pela escassez de infraestruturas.
Desde o regresso dos talibãs ao poder, em agosto de 2021, o Afeganistão registou uma forte redução da ajuda internacional e a imposição de restrições crescentes às mulheres, incluindo limitações ao acesso à educação, ao emprego e aos espaços públicos, bem como obstáculos ao trabalho das organizações humanitárias no terreno.