Incêndio obriga a deslocar populações de várias localidades da região de Madrid e deixa outra confinada
Um novo incêndio que começou hoje à tarde perto de Toledo, a sudoeste de Madrid, obrigou a retirar as populações de várias localidades, bem como ao confinamento de uma delas, anunciaram os serviços de socorro na rde social X.
"Devido à evolução do incêndio de Almorox", as localidades de Encinar del Alberche, Ribera del Alberche e Rincón del Alberche foram retiradas" e a localidade de Villa del Prado colocada em confinamento. "Aos moradores desta última localidade foi-lhes pedido que permanecessem dentro das suas casas até nova ordem, portas e janelas fechadas", indicaram as autoridades de socorro.
Um sinal da rápida propagação do fogo é que as autoridades e os serviços de socorros enviaram duas vezes uma mensagem de alerta para todos os telemóveis da zona para alertar sobre a situação.
Almorox, onde começou este incêndio florestal, encontra-se na região de Castela-Mancha, a cerca de 70 quilómetros a sudoeste de Madrid.
Vários eixos rodoviários estão cortados, indicou a guarda civil. As autoridades pedem aos moradores "que tenham extrema cautela ao deslocarem-se devido à baixa visibilidade causada pelo fumo".
Em França o combate aos incêndios também continua. Um incêndio de grande intensidade já percorreu hoje 900 hectares e continua a avançar para norte da bacia de Arcachon, perto de Bordéus, no sudoeste de França, de onde vários milhares de habitantes e turistas tiveram de ser retirados.
Cerca de 700 pessoas tiveram de deixar as suas casas por precaução na comuna de Porge, onde 3.500 ocupantes de um parque de campismo também foram deslocados, segundo a câmara municipal.
A área percorrida multiplicou-se por seis em menos de três horas. "Temos uma povoação muito densa de pinheiros muito próximos, típica do maciço" das Landes de Gascogne, explicou à agência de notícias francesa AFP o capitão Wilfried Schneider, referindo-se a um fogo de intensidade "rara".
Segundo o presidente da câmara de Porge, Martial Zaninetti, o incêndio terá sido provocado por uma máquina de limpeza numa pista florestal, informação que não foi confirmada pelas autoridades locais.
A presidente da Câmara de Gironde, Sophie Brocas, indicou hoje à noite que iria "proibir todos os trabalhos florestais ou outros que utilizam motores de combustão" no departamento, que está em alerta vermelho para incêndios florestais.
"A mais pequena faísca inicia um incêndio que, por vezes, com o vento, pode ter consequências significativas", afirmou. De acordo com uma atualização da situação às 21:00 (19:00 GMT), 500 bombeiros e 150 carros de combate lutavam contra as chamas no terreno, apoiados no ar por dois aviões Dash, dois Canadair e quatro Air Tractor. Ainda não foram registadas vítimas pelas autoridades e espera-se que mais de 200 bombeiros cheguem como reforços.
Mas, várias estradas estão isoladas na área ameaçada pelas chamas.
Já a proteção civil espanhola, por sua vez, alertou: "devido ao incêndio e à mudança de vento prevista (...) durante a noite, é possível que a coluna de fumo atravesse o território do município. Poderá sentir cheiro a fumo; não entre em pânico. É importante que pessoas com problemas respiratórios se protejam fechando as janelas durante a noite para reduzir a exposição".
Nos últimos dias, muitos incêndios têm deflagrado em Espanha. Incentivados pela vaga de calor que sufoca o país há dois dias, estes incêndios florestais espalham-se muito rapidamente, especialmente nas zonas desertas onde a vegetação rasteira constitui o combustível ideal para a progressão das chamas.
O incêndio florestal mais importante encontra-se do outro lado de Madrid na província de Guadalajara, a cerca de cem quilómetros a norte da capital, e devastou 32.000 hectares desde quinta-feira passada.
No total, quase 125.000 hectares já arderam desde 1 de janeiro em Espanha, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis).