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Madeira

Director clínico diz que hospitais não podem continuar com doentes nos corredores

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O director clínico do SESARAM defendeu, esta manhã, na Assembleia Legislativa da Madeira, que a permanência de doentes nos corredores do Hospital Dr. Nélio Mendonça é uma situação que não pode ser encarada como normal, associando o problema ao aumento das altas clínicas e às mudanças sociais verificadas nas últimas décadas.

Na audição da 5.ª Comissão Especializada Permanente de Saúde e Protecção Civil, Júlio Nóbrega revelou que chegava de um turno de 24 horas quando reiterou a sua posição sobre a matéria. "Não podemos ter doentes nos corredores. Não é humano e do ponto de vista técnico e científico também é errado", afirmou.

O director clínico sustentou que o problema ultrapassa o sector da saúde, defendendo que a sociedade está hoje menos disponível para cuidar dos familiares mais idosos. "A realidade mudou, a sociedade mudou, está menos disponível, por variadíssimas razões, para cuidar dos seus familiares mais idosos", afirmou, acrescentando que "todos nós, enquanto sociedade, estamos a falhar no mais básico: tratar das pessoas mais vulneráveis".

Júlio Nóbrega referiu ainda que o SESARAM tem reforçado os recursos humanos e investido na melhoria das infra-estruturas, designadamente nos centros de saúde e no Hospital dos Marmeleiros. Contudo, admitiu que esse esforço não tem sido suficiente para acompanhar o aumento do número de doentes que permanecem internados depois de receberem alta clínica. Defendeu igualmente que os sistemas de saúde terão de se adaptar a uma medicina cada vez mais orientada para o ambulatório, tendência que considerou transversal a Portugal, à Europa e ao resto do mundo