'Bis' de Alpe d'Huez 'fecha' um percurso 'traiçoeiro' no Tour 2026
No sábado começa a 113.ª Volta à França em bicicleta
Uma dupla ascensão ao lendário Alpe d'Huez, nas duas últimas etapas a 'contar', decidirá o pódio final da 113.ª Volta à França em bicicleta, que recuperou o contrarrelógio por equipas num percurso com cinco chegadas em alto.
No sábado, Barcelona será palco do 27.º 'Grand Départ' da prova francesa do estrangeiro, terceiro em Espanha, com a cidade espanhola a acolher o regressado 'crono' por equipas, presente no traçado do Tour pela última vez em 2019.
Desde 1971 que a Volta a França não começava com um exercício coletivo contra o cronómetro, com os 19,6 quilómetros nas ruas de Barcelona a prometerem grandes diferenças entre os favoritos logo na etapa inaugural, uma vez que o tempo da equipa é estabelecido apenas pelo primeiro a cortar a meta, ao contrário dos três ciclistas que habitualmente contam para este registo.
Seguem-se praticamente 20 etapas sem descanso, uma vez que logo na terceira, a da incursão em França, há uma contagem de primeira categoria, e na sexta se sobe o mítico Tourmalet.
Os ciclistas chegarão a esta categoria especial a 2.115 metros de altitude após ultrapassarem o Col d'Aspin, outro clássico do Tour, e antes de terminarem a tirada no alto de Gavarnie-Gèdre, uma segunda categoria que se estreia na prova.
Num percurso 'traiçoeiro', em que, em teoria, os sprinters terão sete oportunidades, dificilmente concretizáveis pelo traçado que antecede a meta, os candidatos à geral enfrentarão novo teste na 10.ª etapa, com final em Lioran, onde, há dois anos, Jonas Vingegaard derrotou surpreendentemente o quatro vezes campeão Tadej Pogacar ao sprint.
Nessa jornada no Maciço Central, percorrida após a primeira 'pausa' e em dia de feriado nacional (14 de julho), os corredores encadeiam as subidas a Puy Mary e ao Col de Pertus, ambas de primeira categoria, antes de verem a estrada 'suavizar', em duas tiradas vocacionadas para os homens mais rápidos.
O Ballon d'Alsace faz a sua primeira 'aparição' à 13.ª etapa, a cerca de 30 quilómetros da meta, repetindo presença no dia seguinte, nos 155,3 quilómetros entre Mulhouse e Le Markstein, que incluem outras duas contagens de primeira categoria: o Grand Ballon e o Col du Haag, situado a seis quilómetros da meta.
Antes do segundo dia de descanso, há nova inédita chegada em alto, em Plateau de Solaison, uma categoria especial com 11,3 quilómetros de extensão e uma pendente média de inclinação de 9%, a que os ciclistas chegarão depois de terem ultrapassado o Col de la Croisette.
No regresso à estrada, na 16.ª etapa, em 21 de julho, há um 'diminuto' contrarrelógio de 26,1 quilómetros para cumprir, uma distância que ainda assim fará diferenças entre os favoritos, até porque há uma contagem de segunda categoria no trajeto.
Após uma primeira incursão alpina, na 18.ª tirada, que termina no alto de Orcières Merlette, chega o 'ex-líbris' da 113.ª edição da 'Grande Boucle': a dupla ascensão consecutiva ao Alpe d'Huez, algo que não acontece desde 1979, quando o português Joaquim Agostinho venceu no primeiro dia.
Na curtíssima ligação entre Gap e o topo de uma das mais icónicas montanhas da Volta a França, a abordagem será mais 'suave', com os corredores a percorrerem 'apenas' 127,9 quilómetros, que incluem a escalada do Col du Noyer, antes de atingir a meta, onde está colocada uma contagem de categoria especial.
Será a penúltima etapa 'rainha' deste Tour, com um 'catálogo' de alguns dos mais (re)conhecidos portos da prova, nos 170,9 quilómetros desde Le Bourg d'Oisans.
Antes da etapa de consagração, os pretendentes ao pódio final medirão forças uma última vez nas 21 curvas rumo ao topo do Alpe d'Huez, que abordarão depois de terem subido os duríssimos Croix de Fer e Galibier - o 'teto' deste Tour, a 2.642 metros de altitude -, ambos de categoria especial, tal como o Col de la Sarenne, e o Télégraphe, de primeira.
Após o estrondoso sucesso da passada edição -- as imagens de milhares de pessoas a animar os ciclistas na subida, onde Wout van Aert fez descolar Pogacar rumo à vitória, perdurarão como das mais bonitas -, os organizadores voltaram a apostar numa tripla subida à Butte Montmartre na última etapa, 'deslocando', contudo, a meta, este ano situada 10 quilómetros depois da última passagem pelo Sacré-Coeur.