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Mundial2026 Desporto

Espanha bate Argentina com toda a justiça num 'monólogo' final

FOTO RONALD WITTEK/EPA  
FOTO RONALD WITTEK/EPA  

A Espanha garantiu hoje com inteira justiça o segundo título de campeã mundial de futebol, ao dominar por completo a Argentina, que acabou por cair por 1-0 no prolongamento, na final de East Rutherford, nos Estados Unidos.

Um golo de Ferran Torres, aos 106 minutos, permitiu aos espanhóis repetir 2010, depois de imensas tentativas, alguns a esbarrar no 'gigante' Dibu Martínez, que foi claramente o melhor dos campeões de 2022, adiando muitas vezes o 'inevitável'.

O vermelho mostrado a Enzo Fernández, aos 90+3 minutos, complicou mais a tarefa dos campeões de 2022, que também não ficou facilitada com as lesões dos centrais Romero e Lisandro Martínez, mas a verdade é que, até ao golo, o jogo foi um 'monólogo'.

A Argentina só existiu, ofensivamente, na segunda parte do prolongamento, com Messi a 'pegar' no jogo e a tentar o 'milagre' da igualdade, que os sul-americanos poderiam ter alcançado pelos suplentes Marcos Senesi (120) e Giuliano Simeone (120+1).

Os espanhóis lograram, porém, segurar a vantagem mínima e juntar o título mundial ao europeu, como tinham feito em 2010, depois da vitória continental de 2008 -- ainda ganharam o Euro2012 -, depois de um percurso só com um golo sofrido, em oito jogos.

Por seu lado, a Argentina, campeã em 1978, 1986 e 2022, sofreu o quarto desaire em finais (1930, 1990, 2014 e agora 2026), falhando uma revalidação que só Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962) conseguiram na história da prova.

Lionel Messi, que hoje foi manietado pela Espanha, quase não tendo bola, exceção à parte final do jogo, terá disputado o seu último jogo em Mundiais, uma despedida amarga para um jogador único que terá sempre 2022 e é para muitos o melhor de sempre.

Em relação às meias-finais, Luis de la Fuente repetiu a equipa inicial, que já vinha dos 'quartos', enquanto Scaloni fez três alterações, colocando Montiel, De Paul e Nico González nos lugares de Molina, Paredes e Simeone, para um 'onze' inédito.

A Espanha, com uma pressão muito alta, a complicar muito a construção desde trás da Argentina, entrou melhor e criou logo aos cinco minutos uma grande ocasião, com Olmo a isolar Yamal e este a rematar para a defesa de Dibu, após desvio em Lisandro.

Com o passar dos minutos, a tendência do jogo não se alterou, com a formação sul-americana a tentar assustar em contra-ataque, mas a ficar pelo 'quase', enquanto os espanhóis também só voltaram a testar Dibu aos 39, num remate frontal de Oyarzabal.

Já perto do intervalo, aos 44 minutos, Lisandro Martínez, que tinha visto o único amarelo da primeira parte, aos 41, saiu lesionado, dando lugar ao ex-benfiquista Nicolás Otamendi.

Depois do 'show' do intervalo, com Madonna, BTS, Justin Bieber, Shakira e Chris Martin (Coldplay), a Argentina veio sem Nico González e com Paredes, que, logo aos 48 minutos, fez um mau passe para Baena, com este a rematar para Dibu segurar.

Os espanhóis passaram a dominar ainda mais vincadamente o encontro e foram acumulando oportunidades, com Montiel a cortar perante Cucurella (56 minutos), antes de dar o lugar a Molina (58), e Dibu a segurar os remates de Olmo (64) e Ferran Torres (70), aposta dos 62, junto com Pedri.

Medina (Romero saiu lesionado) e Simeone foram apostas aos 70 minutos na Argentina e Merino e Nico Williams entraram na Espanha aos 75, mas nada mudou, com os europeus sempre a 'carregar' e a ameaçar por Pedri (77), Cubarsí (77), Laporte (81) e Ferran (87).

Aos 90+3 minutos, as coisas complicaram-se ainda mais para a Argentina, com Enzo a ver o segundo amarelo, após falta sobre Cubarsí, sendo que, até ao final do tempo regulamentar, Yamal ainda teve um livre perigoso, aos 90+8, mas Dibu defendeu.

Com mais um, a Espanha continuou claramente por cima na primeira parte do prolongamento e Nico Williams voltou a testar Dibu, aos 93 minutos, antes de De la Fuente lançar Eric García e Zubimendi e Scaloni apostar em três centrais, com a entrada de Senesi. Aos 103, Merino cabeceou com muito perigo, ao lado.

Os campeões da Europa acabaram por marcar, finalmente, na primeira jogada da segunda parte, aos 106 minutos, com Porro a centrar da direita, Nico Williams a ganhar no ar a Molina e a tocar atrasado para o remate 'fulminante' de Ferran Torres.

Finalmente, e perante o recuar da Espanha, a Argentina teve bola e conseguiu atacar, com Messi a pegar na 'batuta' e a indicar o caminho da baliza da Espanha.

Aos 117 minutos, o 'capitão' fez um grande remate, que ia à baliza, mas a bola embateu com estrondo na cara de Merino, aos 120, centrou para Senesi falhar por pouco o desvio e, aos 120+1, marcou um canto na direita, com Tagliafico a desviar ao primeiro poste e Simeone, em excelente posição, a atirar por cima.

Os argentinos, mais com o coração, continuaram a tentar, mas a Espanha segurou a vantagem até final e arrebatou a segunda 'estrela', com toda a justiça, 16 anos depois.