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Mundial2026 Desporto

Espanha favorita pela solidez, Argentina capaz do inesperado

Foto kovop / Shutterstock.com
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A Espanha tem mais probabilidades de conquistar o Mundial2026 pela solidez do seu futebol, enquanto a Argentina, detentora do troféu, é capaz do inesperado, perspetiva Bruno Reis, analista de Cabo Verde, única seleção a defrontar os dois finalistas.

"A Argentina é bastante imprevisível. Todos os jogos a eliminar decorreram de uma forma que não se esperava e eles podem mais facilmente tirar coelhos da cartola. No entanto, atribuiria 60-40 [de favoritismo] à Espanha, não só por ter um estilo mais consolidado, mas porque tirará vantagens das fraquezas do adversário com maior facilidade do que o inverso", afirmou à agência Lusa o analista português, que ajudou Cabo Verde a atingir os 16 avos de final na estreia na principal competição internacional de seleções.

Espanha, campeã em 2010, e Argentina, triunfante em 1978, 1986 e 2022 e detentora do troféu, decidem a 23.ª edição do Campeonato do Mundo no domingo, às 15:00 locais (20:00 em Lisboa), no Estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos, numa inédita final entre os vencedores do Europeu de 2024 e das derradeiras duas Copas América, em 2021 e 2024.

"O senão da Espanha é que, por vezes, é demasiado agarrada à sua forma de jogar e à maneira como quer desequilibrar. Se variasse um pouco mais, poderia causar mais problemas aos adversários. Não o fazendo, pode haver uma tendência para a Argentina se adaptar bem e responder de outro modo", projetou Bruno Reis, de 43 anos e integrado desde 2023 na equipa técnica comandada por Pedro Brito, mais conhecido por Bubista.

O analista de Cabo Verde reconhece que a Espanha tem crescido com o decorrer do Mundial2026, no qual vem de seis vitórias, uma das quais frente a Portugal, nos 'oitavos' (1-0), já depois do surpreendente empate com os africanos na jornada inaugural do Grupo H da primeira fase (0-0).

"Tem criado situações diferentes e não está tão manietada como esteve contra nós. Obviamente, beneficiámos do facto de Lamine Yamal só ter jogado poucos minutos, sendo que agora tem um papel mais influente", avaliou, classificando o extremo como o maior desequilibrador da 'roja'.

Pedri, suplente utilizado há duas partidas, Rodri, Fabián Ruiz e Mikel Merino, muitas vezes colocado no ataque, fazem do meio-campo a "maior força" da Espanha, na qual sobressai ainda o dianteiro Mikel Oyarzabal.

Bruno Reis vê os campeões europeus mais capazes de se imporem no terço atacante pelos recursos na hora de encontrar espaços no bloco contrário, além do comedimento da Argentina a pressionar a saída de bola.

"O posicionamento quase sempre alto do [defesa esquerdo] Marc Cucurella acaba por fazer o que conseguimos com o Sidny Lopes Cabral na segunda parte e no prolongamento, que foi obrigar o extremo direito da Argentina a baixar muito. Com isso, perdem muita capacidade de pressão no meio-campo", enquadrou, em alusão à derrota tangencial de Cabo Verde frente aos bicampeões sul-americanos nos 16 'avos' (3-2, após 120 minutos).

Na Argentina, o analista destaca o médio Alexis Mac Allister pela qualidade conferida ao jogo associativo da sua seleção, sem esquecer o avançado Messi, recordista de partidas (33), vitórias (23), golos (21) e assistências (12) em Mundiais e a caminho da terceira final nas últimas quatro edições, já depois de contribuir diretamente para 12 dos 19 tentos da 'albiceleste'.

"Está a mostrar que é um talento completamente fora da caixa e, com 39 anos, marca, joga e faz jogar uma equipa inteira e recheada de estrelas. É ele que liga aquilo tudo. Fisicamente, ainda se mostra relativamente apto, pelo menos nos momentos com bola e em que tem de acelerar. A nível técnico, é soberbo. Na minha opinião, é o melhor jogador do Mundial2026", admitiu, apesar do impacto de outras figuras do futebol mundial na prova.

Bruno Reis receia que a final não seja "a mais espetacular em termos de velocidade", porque Espanha e Argentina privilegiam "posses prolongadas" e tentarão "associar o seu jogo de forma continuada" em zonas ofensivas.

"Nenhuma equipa se sente confortável a ligar três ou quatro passes para acelerar logo ou tentar sair em transição sistematicamente, embora a Argentina seja forte nesse momento. Quem conseguir com mais facilidade e volume levar a bola com segurança e da maneira como gosta para bem dentro do meio-campo adversário, vai ganhar e tornará o encontro mais confortável para si. Daí ter falado nos tais 60-40, porque suspeito que a Espanha consegue fazê-lo um pouco melhor do que a Argentina", anteviu.