“A Autonomia da Madeira só será viável se os madeirenses e os porto-santenses a defenderem”
Abertura da I Legislatura homenageia os pioneiros da Autonomia e alerta para os desafios da democracia
Homenagem aos primeiros parlamentares abre reflexão sobre o futuro da democracia.
A sessão comemorativa da Abertura da I Legislatura da Assembleia Legislativa da Madeira, realizada esta tarde no Salão Nobre do Palácio do Governo Regional, ficou marcada por um sentido tributo aos primeiros obreiros da Autonomia madeirense e por uma reflexão sobre os desafios que a democracia enfrenta no presente e no futuro.
O presidente do Governo Regional aproveitou a cerimónia, dedicada a honrar o percurso do regime autonómico, para destacar a “vontade indómita de ser livre que tem norteado os povos ao longo de séculos e séculos”, na procura de alcançarem “a liberdade intrínseca de decidir aquilo que querem, num quadro comunitário de ordenamento jurídico”.
Miguel Albuquerque afirmou ser uma “grande honra” participar nesta homenagem aos primeiros parlamentares da Região Autónoma da Madeira, alguns dos quais ainda presentes na sala, acompanhados pelos seus familiares.
O governante defendeu que importa reconhecer que o melhor regime continua a ser, “sem sombra de dúvida”, a democracia pluralista. “E não tenhamos dúvidas de que um dos alicerces fundamentais do regime autonómico é o Parlamento”, sustentou, acrescentando ser nesse espaço que é “forjada a vontade plural do nosso povo”.
Ao mesmo tempo, deixou um alerta para os desafios que se avizinham. “Não são desafios fáceis. A democracia está sob pressão. A democracia está sob ataque, na Europa, nos Estados Unidos e em muitas outras partes do mundo. E esse ataque é recorrente”.
Para Miguel Albuquerque, não podemos continuar à procura de um ‘D. Sebastião’ que liberte o povo das suas dificuldades. “Essa narrativa é hoje alimentada também pela manipulação emocional das massas, através das redes sociais e das novas formas de comunicação”, apontou, sublinhando que “a autonomia da Madeira só continuará a ser viável se os madeirenses e os porto-santenses a quiserem defender”.
Antes, a abrir as intervenções esteve João Cunha e Silva, presidente da Estrutura de Missão dos 50 anos da Autonomia, que recordou os primeiros tempos do regime autonómico. Com apenas 18 anos, integrou, como um dos oito tarefeiros, o corpo administrativo inicial do primeiro órgão a tomar posse após a consagração da Autonomia.
“Dizia olá aos que chegavam, ocupando os lugares para que foram eleitos democraticamente, de vários quadrantes políticos, mas cada um, à sua maneira, com a ambição de servir a Madeira e o seu povo”, lembrou.
A Assembleia acabou por se tornar uma casa que conheceu ainda melhor, primeiro como deputado e, mais tarde, como membro do Governo Regional. Na sua intervenção, fez questão de deixar uma palavra de gratidão pelo trabalho desenvolvido e de enaltecer a coragem dos primeiros deputados.
Depois de ontem ter discursado na Sessão Solene Comemorativa dos 50 anos da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, a presidente do parlamento, Rubina Leal, voltou a destacar a importância deste “momento de gratidão”. Defendeu que, hoje mais do que nunca, importa lembrar que a “democracia nem sempre é um facto adquirido” e apelou a todos os deputados eleitos para que continuem a defender a população, em articulação com os parceiros sociais.
A sessão comemorativa integrou ainda uma exposição com artigos cedidos pelo DIÁRIO e pelo JM, retratando uma Madeira que, há 50 anos, luta pela liberdade dos seus cidadãos, além de momentos de declamação e atuações musicais.