Porto Santo vai ter estação e sensor para seguir satélites portugueses
A ilha do Porto Santo vai receber duas novas infraestruturas ligadas ao programa espacial português: uma estação terrestre de comunicação com satélites e um sensor óptico de vigilância do espaço. O anúncio foi feito esta tarde pelo coronel Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea Portuguesa, durante a acção de divulgação "Plano de Voo Rumo ao Espaço", que decorreu na Expo Porto Santo.
Segundo o coronel Pedro Costa, a primeira novidade para a ilha é a instalação de uma estação terrestre que permitirá a comunicação directa com os satélites da "Constelação do Atlântico", um sistema avançado de observação da Terra desenvolvido em parceria luso-espanhola. A estação está a ser desenvolvida pela Força Aérea Portuguesa em conjunto com o CTI Aeroespacial (Centro de Tecnologia e Inovação) e servirá de apoio directo àquela constelação, que conta actualmente com dois satélites de radar de abertura sintética e deverá receber mais dois ainda este ano, no âmbito de um roteiro que prevê um mínimo de 14 satélites até 2030.
A segunda novidade anunciada é a instalação de um sensor óptico destinado à monitorização e vigilância de objectos no espaço exterior. Pedro Costa explicou que, para garantir uma operação segura dos satélites, é necessário conhecer os objectos que se encontram na sua órbita e que estes possam potencialmente cruzar, o que exige uma rede de sensores em terra capazes de catalogar esses objectos.
Quanto à localização das duas infra-estruturas, o coronel adiantou que ainda estão a ser validados diversos requisitos, mas confirmou que a estação terrestre deverá ficar instalada no Sítio das Pedras Vermelhas, por se tratar de uma zona central no acesso às linhas de comunicação, permitindo fazer chegar rapidamente a informação ao centro de comando e controlo. Já o sensor de vigilância e monitorização do espaço, designado Space Surveillance and Tracking (SST), deverá localizar-se no Cabeço de Bárbara Gomes, uma zona afastada da poluição luminosa da vila de Porto Santo.
Na mesma intervenção, o responsável da Força Aérea sublinhou que Portugal tem hoje um sector espacial industrial "muito activo", destacando duas empresas na área da segurança e sustentabilidade espacial: a Neuraspace, que monitoriza mais de 700 satélites e recorre a algoritmos de inteligência artificial para apoiar manobras de satélites que viajam a velocidades superiores a 25 mil quilómetros por hora, e a Geosat, o segundo maior operador de satélites ópticos da Europa. Segundo o coronel, estas duas empresas colocam Portugal numa posição de destaque no panorama espacial europeu.
Sobre o número actual de satélites portugueses, Pedro Costa precisou que estão hoje activos dois satélites de radar de abertura sintética (SAR), sob comando e controlo total da Força Aérea, aos quais se juntarão mais dois em Outubro, elevando o total para quatro até ao final de 2026. Estes dois novos satélites terão órbitas inclinadas com particular relevância para a Região Autónoma da Madeira, sobre a qual passarão com uma frequência próxima dos 90 em 90 minutos. Já na vertente óptica, sob responsabilidade da Geosat, Portugal conta actualmente com cinco satélites. O objectivo traçado é chegar a 2030 com 14 satélites de radar e 12 satélites ópticos, constituindo aquilo que o coronel descreveu como o "braço" português da Constelação do Atlântico.