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Assembleia Legislativa Madeira

Deputado luso-venezuelano relata em plenário drama de madeirenses na Venezuela

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O deputado Carlos Fernandes (PSD) abriu a sessão plenária desta manhã na Assembleia Legislativa da Madeira com uma intervenção sobre o impacto do sismo da passada quarta-feira na Venezuela junto da comunidade madeirense e luso-venezuelana. Foi uma declaração feita com alguma emoção, de alguém que é também luso-venezuelano, tendo sido aplaudida por todos os deputados do parlamento madeirense.

O deputado começou por recordar os "45 minutos" de angústia que viveu pessoalmente até conseguir contactar a cunhada e as duas sobrinhas, de 19 anos, residentes no país, na sequência do abalo sísmico. A cunhada presenciou o desabamento de um edifício junto de si, mas o maior tormento foi a impossibilidade de contactar as filhas nos minutos seguintes ao sismo.

Carlos Fernandes partilhou vários relatos de madeirenses e luso-venezuelanos afectados pela tragédia. Citou o caso de Juan Carlos, residente na Madeira, cuja mãe, Erminda Pinto, esteve mais de 20 horas soterrada nos escombros em La Guaira até ser resgatada com vida pelo grupo folclórico do Centro Luso local. Referiu também a morte de uma madeirense identificada como Betty, encontrada sem vida no dia seguinte ao sismo, com a mãe internada em estado grave, e o caso do "senhor Sardinha", natural da Madeira, que "perdeu praticamente toda a sua família" no desastre.

Entre os relatos mencionados pelo deputado contam-se ainda o de Jennifer, luso-venezuelana cujo marido e filhos morreram soterrados nos escombros de uma padaria, o resgate com vida de um bebé de 18 dias, e o caso de Isaac Figueira, um menino de 9 anos visto com vida mas que continua desaparecido. O deputado social-democrata mencionou a situação de Adrián Gouveia, que perdeu a mulher e a sogra no desabamento do prédio onde viviam, estando a filha internada nos cuidados intensivos a lutar pela vida.

O deputado sublinhou que a comunidade portuguesa é a comunidade estrangeira com maior número de vítimas mortais na tragédia, e classificou a Venezuela como "não um país qualquer para a Madeira", recordando que o país acolheu dezenas de milhares de madeirenses ao longo de décadas.

Na intervenção, Carlos Fernandes lamentou que uma missão portuguesa de bombeiros e protecção civil, com disponibilidade manifestada pelo Governo Regional, tenha ficado por avançar. "Alguém decidiu que não era necessário", disse. Agradeceu, por outro lado, o trabalho da Embaixada portuguesa em Caracas, dos consulados, das associações e clubes portugueses, e dos madeirenses no terreno que, mesmo tendo perdido familiares ou bens, continuam a apoiar outras vítimas.

O deputado dirigiu também uma palavra de reconhecimento à sociedade madeirense pela mobilização de donativos, medicamentos, alimentos e voluntários, e às associações luso-venezuelanas que têm coordenado a recolha de ajuda humanitária.

Carlos Fernandes terminou a intervenção com uma mensagem às famílias que continuam sem notícias dos seus entes queridos. "A Madeira está convosco, Portugal está convosco, esta Assembleia está convosco", declarou o deputado, reiterando que as buscas pelos desaparecidos prosseguem.