Madeirense quer enviar material de resgate para a Venezuela
Jhonathan Rodrigues tem material parado na Madeira que, neste momento, acredita poder fazer diferença nas operações de resgate em La Guaira, na Venezuela. São cordas, roldanas, mosquetões e dezenas de lanternas utilizadas em actividades de montanha e aventura, equipamento que, perante a dimensão da tragédia, considera “valioso” para quem está a tentar retirar pessoas dos escombros.
O empresário madeirense lançou um apelo para que alguém, entidade pública ou privada, ajude a encontrar uma forma rápida e eficaz de fazer chegar este material às equipas que estão no terreno.
“Tenho corda, tenho roldanas, tenho mosquetões, tenho muitas lanternas que já não usamos tanto, porque hoje os clientes acabam por usar a lanterna do telemóvel para passar os túneis. Mas lá este material pode ser muito valioso”, explica.
Entre o equipamento disponível estão lanternas próprias para colocar no capacete ou na cabeça, permitindo trabalhar com as mãos livres em cenários de pouca ou nenhuma visibilidade. “Quando não há luz, estas lanternas dão imenso jeito, sobretudo em operações de resgate”, sublinha.
O empresário estima ter, pelo menos, dez pontas de corda, algumas com cerca de 30 metros, além de mosquetões e entre 10 a 12 roldanas profissionais. Não consegue quantificar o peso total do material, mas garante que está disponível para o disponibilizar de imediato.
“Tenho esse material todo parado e, neste momento, podia estar a salvar vidas”, lamenta.
Jhonathan Rodrigues diz ter visto imagens de resgates feitos em condições extremamente difíceis, com equipas a transportar macas à mão sobre escombros, a vários metros de altura. É precisamente aí que considera que o material de montanha poderia ser útil.
“Vi um vídeo em que estavam a levar uma maca à mão, a cerca de três andares de altura, por cima dos escombros. Com uma roldana e uma corda, aquela maca podia deslizar de forma muito mais segura e rápida”, exemplifica.
“A ideia é mandar o material o mais rapidamente possível. Que alguém me diga como é que posso fazer isto chegar lá. Se for preciso pagar um transportador ou encontrar outra solução, o importante é perceber como se faz”, afirma.
Admite ainda contactar outras empresas do sector, que poderão ter equipamentos semelhantes disponíveis para ajudar. “Vou falar com outras empresas, porque se calhar também podem contribuir com alguma coisa”, adianta.
O apelo é simples: encontrar uma entidade que consiga encaminhar o equipamento para a protecção civil, bombeiros, equipas de resgate ou outras estruturas operacionais que estejam a actuar nas zonas mais afectadas.
“Dá-me uma dor na alma saber que este material podia estar a ajudar e está aqui parado”, confessa, pedindo que quem possa ajudar na articulação do transporte ou na entrega segura do equipamento entre em contacto através do DIÁRIO ou directamente através do Instagram, pelo perfil Jhonathan Rodrigues.
Num momento em que La Guaira continua marcada por destruição, vítimas soterradas e equipas de salvamento a trabalhar com meios limitados, o apelo do empresário madeirense junta-se a muitos outros sinais de solidariedade que têm surgido na Região e na diáspora.
Mais do que palavras, Jhonathan quer colocar no terreno aquilo que tem disponível: material técnico que pode ajudar a iluminar, içar, estabilizar e transportar. Material que, nas suas palavras, “não está a fazer nada” na Madeira, mas que na Venezuela pode ser decisivo.