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Prédio de madeirense colapsou e hotel de portugueses também

Carlos Fernandes, deputado madeirense, alerta para “situação muito complicada” na Venezuela e apela à solidariedade após sismos

Foto RAYNER PENA/EFE/EPA
Foto RAYNER PENA/EFE/EPA

O deputado madeirense Carlos Fernandes manifestou esta manhã a sua preocupação com a situação vivida na Venezuela após os fortes sismos que atingiram o país, destacando aos microfones da CNN Portugal os laços profundos entre Portugal, a Madeira e a comunidade portuguesa naquele território.

"A situação é muito complicada, muito nervosa para a população, muitas famílias desaparecidas, muitas pessoas que não sabem onde estarão os seus familiares, que não sabem se os seus familiares estão em casa", afirmou no exterior do parlamento madeirense enquanto decorriam os trabalhos.

O deputado madeirense de origem venezuelana referiu que várias zonas do país foram particularmente afectadas, destacando localidades onde reside uma importante comunidade portuguesa. "Há sítios muito afectados dentro da Venezuela, como está o La Guaira, Caracas, Maracay, sobretudo La Guaira, onde vive uma grande comunidade portuguesa", disse.

Carlos Fernandes revelou que tem recebido relatos de pessoas que continuam sem conseguir contactar familiares na Venezuela. "Tive agora a falar com várias pessoas que vivem lá e outras pessoas que têm familiares lá, que não conseguem contactar com eles", contou.

Segundo o deputado, muitas famílias permaneciam sem notícias mais de 12 horas depois do primeiro sismo. Neste directo com a CNN pouco antes das 9h30, frisou que "a esta hora, imagina, já passaram mais de 12 horas de ter acontecido o primeiro cismo na Venezuela e ainda não conseguem contactar os seus familiares. As imagens que chegam são muito complicadas", afirmou.

Carlos Fernandes destacou ainda a dimensão dos danos provocados pelos sismos, referindo exemplos de edifícios afectados onde existiam ligações à comunidade portuguesa. "Vimos como o prédio de um madeirense na zona de estado Miranda, em Guatiras, que ficou todo destroçado, colapsou completamente. Um hotel em La Guaira também de portugueses colapsou", relatou.

Para o deputado, as imagens divulgadas são particularmente difíceis de acompanhar. "As imagens são muito fortes. Ver crianças a serem resgatadas, pais a perguntar pelos filhos, idosos a perguntar pelos seus netos são situações muito difíceis", afirmou.

Carlos Fernandes apelou à solidariedade da comunidade portuguesa e da comunidade internacional perante as dificuldades enfrentadas pela população venezuelana. "Temos que estar neste momento muito solidários e muito atentos", disse, acrescentando que o país "não está preparado realmente para uma situação destas".

"O único que podemos apelar neste momento é a solidariedade, de um povo venezuelano, a solidariedade da nossa comunidade e a solidariedade internacional, a ver se conseguimos ultrapassar este momento de tanta dificuldade e de tanta incerteza", afirmou à estação de televisão.

O deputado madeirense referiu também que muitas pessoas tiveram de permanecer nas ruas por receio de regressar às suas habitações. "Pessoas nas ruas, que tiveram que dormir nas ruas da cidade de Caracas, Maracay, de Valência, de La Guaira, por medo de voltar às suas casas. E há outros que nem sequer poderiam voltar às suas casas, porque já não existem essas casas", explicou.

Carlos Fernandes apelou ainda à manutenção dos contactos com familiares e amigos na Venezuela, apesar das dificuldades nas comunicações. "Temos de estar atentos, temos de estar bem informados, tentando contactar com os nossos familiares na Venezuela, mesmo que haja muita dificuldade para fazê-lo", afirmou.

O deputado partilhou também a sua própria experiência no contacto com familiares afectados pela situação. "Eu, para contactar com os meus familiares, consegui contactar com a minha sobrinha, consegui contactar com o pai através de uma SMS, porque eu não tinha rede de dados para poder contactar com a família", relatou.

Carlos Fernandes reforçou que a comunicação e a entreajuda serão fundamentais neste período. "Tudo o que podemos fazer para ajudar vai ser importante. Mantermos constante comunicação", concluiu.