"Ficamos em choque ao ver essas imagens"
Comunidade venezuelana na Madeira acompanha com preocupação sismos na Venezuela
A presidente da Associação da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos na Madeira, Ana Cristina Monteiro, revelou ao DIÁRIO a preocupação e angústia perante a situação vivida na Venezuela após os fortes sismos que atingiram o país, deixando uma palavra de solidariedade às famílias afectadas.
"Ficamos em choque ao ver essas imagens e saber o que as pessoas estavam lá sofrendo", afirmou Ana Cristina Monteiro, explicando que já conseguiu contactar com alguns membros da comunidade venezuelana residente no país.
"Sim, já conversei com algumas pessoas da comunidade, com algumas pessoas mesmo venezuelanas que residem lá. E é uma agonia e estou mesmo preocupada porque não sei muito bem o que fazer", desabafou.
A responsável associativa referiu que a maior preocupação está relacionada com as pessoas que viviam nas zonas mais afectadas, nomeadamente Luz Palau Grande, Vargas e Carabobo.
"Principalmente pessoas que residiam nessas zonas, muitas pessoas que passaram a noite fora de casa porque não podiam voltar às suas residências, até serem avaliadas e confirmar que estão em segurança", explicou.
Segundo Ana Cristina Monteiro, a situação tem provocado "muito nervosismo" e “muita insegurança", existindo ainda relatos de pessoas desaparecidas. "Ainda há pessoas desaparecidas. É tão recente que a última informação que eu vi estavam sem luz em Palau Grande. Há 22 pessoas desaparecidas, mas são números muito precoces, sem confirmação, porque na verdade muda muito rapidamente. Números oficiais não temos ainda", afirmou.
A presidente da Associação da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos na Madeira destacou ainda as dificuldades de comunicação nas primeiras horas após os sismos. "Eu só consegui comunicar a partir das 3 da manhã. Por volta das duas, tive o primeiro contacto com pessoas que estavam lá. Informaram-me que estavam bem na zona de Prados del Este", relatou.
"Depois das 3 da manhã eu consegui contactar com outras famílias que estavam principalmente nesta zona mais afectada", acrescentou Ana Cristina Monteiro que considera que o sismo surge num momento particularmente difícil para a Venezuela, depois de anos de crise económica e social.
"Um país como a Venezuela que tem passado por uma crise gigantesca nos últimos anos, e que estão a sofrer com mais este abalo da natureza, de facto põe à prova as pessoas. A resiliência destas pessoas, porque na verdade a situação económica e social da Venezuela não está bem", afirmou.
"Estão a sofrer uma crise humanitária importante. E depois encontrar com uma situação como esta, em que as pessoas têm que sair de casa, ou que perderam suas casas ou seus apartamentos, é muito triste", acrescentou.
Para a dirigente associativa, a comunidade venezuelana tem demonstrado uma grande capacidade de resistência perante as dificuldades. "Eu penso que as pessoas da Venezuela já passaram por tanta coisa que é só mais um golpe na vida dessas pessoas", disse. Ana Cristina Monteiro defende que é necessário apoiar as famílias afectadas e contribuir para a recuperação do país.
"O que devemos fazer, o que eu penso, é que todos temos consciência de que é preciso estar presentes, tentar ajudar a reconstruir novamente a vida dessas famílias", afirmou.
A responsável destacou também o papel que Portugal poderá desempenhar neste apoio, tendo em conta os laços históricos existentes entre os dois países.
"Portugal obviamente tem ali um papel importante, em virtude deste vínculo que tem Portugal e a Venezuela. Seguramente isso é certo, que irá prontificar-se a ajudar, enviar ajudas alimentares e médicas, tentar ajudar na reconstrução", declarou.
"Esperamos que com a ajuda de todos, a Venezuela possa recuperar em pouco tempo", concluiu Ana Cristina Monteiro.