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Madeira

Venda de casas na Madeira cai 25,6% no arranque de 2026

O recuo no primeiro trimestre de 2026 foi mais expressivo no segmento da habitação nova, cujas transacções afundaram 56,4% em termos homólogos

No primeiro trimestre de 2026, os negócios realizados totalizaram 215,2 milhões de euros, menos 21,7% do que no trimestre precedente e menos 19% em comparação com igual período do ano passado.
No primeiro trimestre de 2026, os negócios realizados totalizaram 215,2 milhões de euros, menos 21,7% do que no trimestre precedente e menos 19% em comparação com igual período do ano passado., Foto Hélder Santos/ASPRESS

O mercado imobiliário da Madeira registou um forte abrandamento no primeiro trimestre de 2026, com a venda de alojamentos a cair 25,6% face ao mesmo período do ano passado e 23,1% em relação ao trimestre anterior. O recuo foi particularmente expressivo no segmento da habitação nova, cujas transacções afundaram 56,4% em termos homólogos e 41,1% face aos últimos três meses de 2025, segundo os dados divulgados esta terça-feira pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM).

Entre Janeiro e Março foram transaccionados 665 alojamentos na Região Autónoma da Madeira, menos 229 do que no trimestre anterior e menos 229 face ao mesmo período de 2025. Do total de imóveis vendidos, 543 correspondiam a alojamentos existentes, representando 81,7% das transacções, enquanto apenas 122 eram habitações novas.

A quebra mais acentuada verificou-se precisamente neste último segmento. As vendas de alojamentos novos diminuíram mais de metade em comparação com o primeiro trimestre de 2025, reflectindo uma desaceleração significativa num mercado que nos últimos anos vinha sendo impulsionado pela construção e comercialização de novos empreendimentos habitacionais, conforme aliás, o DIÁRIO vem dando conta em recentes trabalhos jornalísticos.

Preços do imobiliário estagnados há meio ano

A notícia que faz a manchete da edição de hoje do seu DIÁRIO dá conta de que os preços do imobiliário estão estagnados há meio ano. É preciso recuar até à pandemia para achar uma série de dois meses com preços médios por metro quadrado em queda. Consultor admite alguma estabilização, mas afasta cenário de saldos. No âmbito da habitação, a CMF investe 5,2 milhões para reconstruir bairro e São Vicente avança com alteração ao PDM.

Também o valor global das transacções imobiliárias acompanhou esta tendência de retracção. No primeiro trimestre de 2026, os negócios realizados totalizaram 215,2 milhões de euros, menos 21,7% do que no trimestre precedente e menos 19% em comparação com igual período do ano passado. Os preços elevados têm contribuído sobremaneira para o arrefecimento da procura, sobretudo interna, tal como o DIÁRIO tem noticiado. 

95% não conseguem comprar um estúdio

A notícia que faz a manchete da edição desta quinta-feira do seu DIÁRIO dá conta de que 95% não conseguem comprar um estúdio. O salário médio de um trabalhador madeirense cobre apenas 32% do rendimento necessário para aceder a crédito habitação para adquirir um T0 no Funchal.

Habitação inacessível

Conheça os destaques da edição impressa de hoje do DIÁRIO

O segmento dos alojamentos novos foi novamente o mais penalizado. O valor das vendas fixou-se em 51,7 milhões de euros, traduzindo quebras de 45,1% face ao trimestre anterior e de 51,3% em termos homólogos. Já os alojamentos existentes movimentaram 163,5 milhões de euros, registando uma diminuição trimestral de 9,5%, embora tenham conseguido crescer 2,5% face ao primeiro trimestre de 2025.

Compra por madeirenses caiu 25% num ano

As famílias residentes na Madeira continuaram a representar a maior fatia do mercado habitacional regional. No período em análise adquiriram 554 alojamentos para habitação, menos 20,6% do que no trimestre anterior e menos 24,6% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Em valor, estas operações atingiram 178,9 milhões de euros, refletindo uma redução de 20,9% face ao final de 2025 e de 15,7% em termos homólogos.

Os dados da DREM mostram ainda que a desaceleração do mercado imobiliário madeirense foi significativamente mais intensa do que a registada a nível nacional. No conjunto do país foram transacionados 37,7 mil alojamentos no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma diminuição de 8,7% face ao período homólogo e de 12,4% relativamente ao trimestre anterior.

Apesar da redução do número de transações em Portugal, o valor movimentado no mercado habitacional nacional atingiu 9,9 mil milhões de euros, mais 3,2% do que no primeiro trimestre de 2025, contrastando com a descida de 19% observada na Madeira.

Os números agora divulgados apontam, assim, para um início de ano marcado por uma forte contração da atividade imobiliária na Região, especialmente no mercado da habitação nova, tanto em volume de vendas como em valor das transações.