Universidade dirigida por filha de madeirenses avaliada como a melhor da Venezuela
A empresa britânica Quacquarelli Symonds (QS), que analisa a reputação académica das universidades a nível mundial, classificou a Universidade Central da Venezuela (UCV), dirigida pela descendente de emigrantes madeirenses Maria Fátima Garcês, como a melhor do país, explicou a própria à Lusa.
"O ranking foi divulgado a 18 de junho e na Venezuela apenas ficaram [incluídas] quatro universidades. A UCV ocupa o primeiro lugar na classificação, seguida pela Universidade Católica de Andrés Bello. Em terceiro lugar está a Universidade Simón Bolívar (USB) e, em quarto lugar, a Universidade de Los Andes (ULA)", disse Maria Fátima Garcês.
A lusodescendente, filha de pais oriundos da Ribeira Brava e dos Canhas, que desde 2023 é vice-reitora da UCV, explicou ainda que o ranking avaliou as publicações científicas, o número de docentes com doutoramento e o grau de empregabilidade dos licenciados, ou seja, a percentagem de licenciados que, em um ano, foram contratados para os cargos para os quais se formaram.
"Avaliou também a reputação da Universidade a nível mundial e a sua sustentabilidade", disse, precisando que a UCV, a USB e a ULA, são as universidades públicas, autónomas, mais antigas da Venezuela, que sempre impulsionaram o meio académico, mediante publicações especializadas.
A professora lamentou, no entanto, que "nos últimos anos, o número de publicações em revistas da Scopus tem diminuído", o que tem feito cair o impacto das publicações da universidade a nível mundial.
"A Scopus é muito cara e as universidades públicas não dispõem de recursos para pagar as publicações. E, embora continuem a publicar, o impacto diminuiu porque recorrem a outras revistas e por isso descem na classificação, na América Latina".
A Scopus indexa as publicações com maior impacto ciêntifico no mundo, sendo uma das maiores bases de dados mundiais de resumos e citações 'peer-reviewed'. Abrange mais de 43.000 títulos nas áreas de ciências, tecnologia, medicina, ciências sociais, artes e humanidades.
A vice-reitora explicou ainda que há outros sistemas, como o SciELO, que não têm tão alto impacto e que "a UCV, apesar de não dispor de orçamento, continua a publicar trabalhos, a formar os melhores licenciados do país --- uma vez que mais de 95% deles continuam a ser contratados para bons empregos --- e goza de uma excelente reputação académica".
Desde que assumiu a vice-reitoria em 2023, Maria Fátima Garcês tem-se esforçado para dar visibilidade aos docentes e à universidade, e este ano, graças ao apoio da banca local, serão entregues prémios de investigação pelos trabalhos publicados em 2025.
"Como lusodescendente, estou muito orgulhosa do trabalho que tenho realizado na vice-reitoria, porque consolidámos a UCV como a primeira universidade do país", disse, precisando que é também "a mais antiga" da Venezuela, "com mais de 304 anos".
Apesar de se situar atualmente na 31.ª posição na América Latina, "há mais de 20 anos estava entre as 10 primeiras", sublinhou. A queda no ranking está ligada diretamente à falta de "orçamento adequado". Ainda assim, a UCV recebeu em fevereiro a acreditação, por cinco anos, do Alto Conselho de Avaliação da Investigação e do Ensino Superior (Hcéres) da França, pela alta qualidade do ensino.
"Isto significa que a UCV, tem uma excelente qualidade educativa e demonstra que os seus programas de estudo tornam os seus licenciados competentes", sublinhou.
Fátima Garcês lamenta que "com todas as complicações que a Venezuela tem enfrentado, os professores tenham agora salários tão baixos" e que a UCV - a maior universidade do país, declarada património da Humanidade no ano 2000, com 11 faculdades, 45 escolas e 60 cursos - receba apenas 1% do orçamento que pede.