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Madeira

Albuquerque no Congresso do PSD: "Digo o que tenho a dizer e não tenho medo de partir ovos"

Albuquerque deixou recados à liderança de Montenegro

Foto PAULO NOVAIS/Lusa
Foto PAULO NOVAIS/Lusa

Miguel Albuquerque, líder do PSD-Madeira e presidente cessante da Mesa do Congresso do PSD, usou a palavra no 43.º Congresso Nacional do partido, que arrancou hoje, para anunciar que não se recandidataria à liderança do órgão — já foi eleito o presidente do PSD-Açores, José Manuel Bolieiro, que tomará o cargo amanhã - e para deixar um discurso que não passou despercebido, marcado pela franqueza que o caracteriza e por alguns recados à política nacional.

"Decidi há uns tempos que não me ia recandidatar a Presidente do Congresso. Essa decisão é uma decisão pessoal minha e nada tem a ver, nem podia ter a ver, com qualquer atrito com a direção do Partido", começou por esclarecer, afastando qualquer leitura de mal-estar interno.

Mas foi na defesa de um estilo político sem rodeios que Albuquerque se mostrou mais assertivo. "Eu gosto de ser claro e ainda não tenho tempo dos ofendidinhos. Eu ainda sou um político antigo que digo o que tenho de dizer e não tenho medo de partir ovos", afirmou, numa frase que condensou bem o tom de toda a intervenção.

Sobre a relação com o primeiro-ministro, que disse ter apoiado desde a fase embrionária da candidatura, foi direto: "O nosso relacionamento tem que ser sempre um relacionamento diferente. Eu digo aquilo que tenho de dizer, ele diz aquilo que tem de dizer e não tem de ficar ofendido, porque a função dele é defender o Estado e Portugal, a minha função é defender a Madeira e a região."

Albuquerque sublinhou que, nos 50 anos de Autonomia, defender os interesses da Madeira implica por vezes posições que geram mal-entendidos, mas garantiu que com o primeiro-ministro não existe nenhum. "Tivemos hoje uma conversa franca, vamos continuar a trabalhar para bem da região autónoma da Madeira e para bem do país", afiançou

Sem "culto da pobreza", como fez questão de sublinhar, o líder madeirense reiterou a ambição de uma Madeira próspera e de um país desenvolvido, apresentando a região como "vanguarda da social-democracia em Portugal".

No encerramento da intervenção, deixou um último recado aos militantes, apelando a um partido vivo e sem autocensura: "A liberdade de cada um dentro deste partido é sagrada. Temos que lutar por aquilo que acreditamos e não ter medo de enfrentar a oposição." E rematou com a máxima que já se tornou sua marca: "Quem quer ser amado todos os dias compra um cão. Quem quer ir para a luta política tem que ter pele grossa."