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Madeira

“A Madeira não pede privilégios”

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Foi há instantes que Pedro Coelho falou. E no 43.º Congresso Nacional do PSD teve uma intervenção centrada na insularidade, na autonomia e na necessidade de o Estado olhar para a Madeira para lá da retórica da coesão territorial. O deputado à Assembleia da República, eleito pela Madeira, usou o palco de Anadia para lembrar que a distância entre a Região e o continente não é apenas geográfica. É também económica, social e política quando as respostas da República tardam em chegar.

Perante os congressistas, Pedro Coelho procurou enquadrar a autonomia como uma das maiores conquistas democráticas da Madeira nas últimas cinco décadas, mas recusou tratá-la como um processo fechado ou meramente celebrativo. A mensagem baseada na tónica que a autonomia não pode ficar reduzida a uma evocação histórica, nem a insularidade pode continuar a ser reconhecida apenas nos discursos oficiais. Tem de ter tradução prática nas decisões do Estado.

A intervenção ganhou particular relevância num congresso onde a direcção nacional do PSD procurou projectar uma imagem de unidade, estabilidade e governação, mas onde os principais dossiês madeirenses estiveram praticamente ausentes dos discursos centrais. Pedro Coelho acabou, por isso, por cumprir uma função política que ia para lá da intervenção individual. Colocou a Madeira dentro da sala, num momento em que a Região continuava sem grande expressão na narrativa nacional do congresso.

O deputado fez da mobilidade o exemplo mais evidente das desigualdades criadas pela condição insular. Recordou que, no continente, um cidadão pode atravessar centenas de quilómetros por valores relativamente baixos, enquanto um madeirense depende quase exclusivamente do transporte aéreo para se deslocar ao restante território nacional. A diferença não é um detalhe logístico. É uma questão de igualdade entre portugueses.

Foi nesse contexto que Pedro Coelho rejeitou qualquer leitura assistencialista das reivindicações da Madeira. A Região, sublinhou, não pede favores, regimes de excepção ou privilégios injustificados. Reclama apenas que o Estado reconheça os custos reais da insularidade e actue em conformidade. A frase “não somos portugueses de segunda nem de primeira” sintetizou essa ideia: “a Madeira quer direitos iguais, mas exige que sejam consideradas as dificuldades que os outros territórios não enfrentam”.

A leitura política da intervenção é evidente. Pedro Coelho falou num tom leal para com a liderança nacional, sem abrir qualquer frente de confronto com Luís Montenegro, mas deixou um aviso implícito, mas a unidade partidária não pode servir para silenciar as reivindicações regionais. Num partido que governa o país e a Região, a Madeira espera mais do que solidariedade discursiva, acentuou. “Espera decisões”, concretizou.

No final, a intervenção do deputado madeirense serviu para lembrar que a coesão territorial não se mede apenas por palavras repetidas em congressos. Mede-se pelo preço de uma viagem, pela previsibilidade dos apoios, pela capacidade de acesso aos serviços, pela justiça no financiamento e pela forma como o Estado trata quem vive fora do território continental. A Madeira não quer ser excepção. Quer apenas que a sua diferença deixe de ser tratada como incómodo.