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Madeira

"Autonomia foi capturada pelo compadrio e pelos interesses do poder"

Acusação do deputado do Chega, Francisco Gomes

Foto DR/CH
Foto DR/CH

O deputado do Chega (CH) eleito pela Madeira na Assembleia da República, Francisco Gomes, afirmou que "a Autonomia regional constitui o maior legado político construído pelo povo madeirense, mas acusou os governos regionais da última década de terem transformado esse património numa ferramenta ao serviço do poder instalado e dos interesses económicos próximos do governo", refere numa nota de imprensa.

Declarações feitas à margem das celebrações dos 50 anos da Autonomia da Madeira, que decorrem hoje com a presença do Presidente da República, António José Seguro, na qual o parlamentar considera que "a data deve servir para refletir sobre a forma como a Autonomia foi capturada por interesses políticos e económicos que se afastaram dos legítimos interesses dos madeirenses".

No seu entender, "a Autonomia foi uma das maiores conquistas políticas da história da Madeira", reconhece, mas "o problema é que muitos daqueles que a receberam das mãos do povo transformaram-na numa máquina de poder, influência, favores e proteção de interesses instalados".

Francisco Gomes defende, por isso, que "a Autonomia deveria ser utilizada para resolver os problemas das famílias, criar riqueza, reforçar a mobilidade, melhorar os salários, garantir habitação acessível e defender os interesses da Madeira perante a República", mas acusa "os governos liderados por Miguel Albuquerque de terem reduzido a Autonomia a um instrumento de propaganda e de gestão de interesses partidários".

"Durante anos venderam aos madeirenses a ilusão de uma Autonomia forte, mas utilizaram-na para promover corrupção e o enriquecimento de uma certa casta política, dos seus amigos e dos grupos económicos mais próximos do poder", denunciou. "Isso não é defender a Madeira. Isso é servir-se da Madeira".

O deputado na Assembleia da República diz ainda que "a crise da habitação, os baixos salários, o aumento do custo de vida, a falta de oportunidades para os jovens e a incapacidade de resolver problemas estruturais demonstram o fracasso de um modelo político esgotado", considerando que "os governos de Albuquerque são responsáveis pela transformação da Autonomia num símbolo político cada vez mais vazio e distante dos seus objetivos".

E acrescenta: "A Autonomia não nasceu para criar castas privilegiadas nem para alimentar redes de influência. Nasceu para servir o povo madeirense. Infelizmente, foi colocada ao serviço de quem vê o governo como um instrumento para conservar poder e distribuir favores."

Francisco Gomes diz, a concluir, que "a recuperação da Autonomia exige uma profunda mudança política na Região", acreditando que "a Autonomia só voltará a pertencer ao povo quando a Madeira tiver um governo que sirva os madeirenses em vez de se servir deles. Enquanto os mesmos protagonistas continuarem a governar de mãos dadas com a opacidade e o compadrio, a Autonomia continuará sequestrada por quem a devia defender".