Primeiros nigerianos deixam África do Sul em operação de repatriamento de emergência
O primeiro grupo de 268 nigerianos retirados da África do Sul chegará a Lagos na quinta-feira, dando início a uma operação de repatriamento voluntário de urgência perante os ataques xenófobos no país do sul do continente.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros nigeriano adiantou hoje que o embaixador interino da Nigéria em Pretória, Alexander Ajayi, "acompanhará o primeiro grupo de 268 passageiros" até à chegada ao país.
Os retornados, que constituem o primeiro grupo de pelo menos 1.094 pessoas que pretendem ser repatriadas, viajam num avião que descolou hoje de Joanesburgo e que deve aterrar em Lagos ao início de quinta-feira.
Devido ao fluxo contínuo de pessoas que procuram fugir da onda violência, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros nigeriano, Kimiebi Imomotimi Ebienfa, avançou que o processo de seleção em Pretória, capital da África do Sul, foi prolongado até domingo.
Só hoje cerca de 500 cidadãos nigerianos iniciaram o processo de repatriamento voluntário na embaixada da Nigéria, segundo a imprensa local.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e levam frequentemente a ondas de protestos violentos, especialmente nos bairros mais vulneráveis. Os protestos mais graves ocorreram no final de 2019, resultando na morte de 18 estrangeiros, segundo dados da organização Human Rights Watch (HRW).
A atual onda de violência levou também mais de 3.000 malawianos a deixarem hoje as suas casas em Durban, cidade portuária sul-africana, e a considerar o repatriamento para o seu país de origem.
"Disseram que tínhamos de ir embora. Não temos escolha", lamentou Sayiba John, de 33 anos, que fugiu com o marido e os três filhos, em declarações à agência AFP.
A sua filha, aluna da segunda classe, foi obrigada a abandonar os exames. "É melhor que o nosso Governo nos tire daqui do que enfrentar a ira dos sul-africanos", referiu.
Na terça-feira, o Governo moçambicano admitiu preocupação com o "recrudescimento do discurso anti-imigração" na vizinha África do Sul, receando o agravamento da situação até final do mês, após o regresso de 714 cidadãos ao país nos últimos dias.
"Preocupam-nos com alguma atenção, neste momento, o recrudescimento do discurso anti-imigrante na África do Sul, o que poderá resultar no risco do seu agravamento até o final deste mês. Por isso, o nosso Governo continuará atento para proteger, assistir, integrar as pessoas que sofrerão desta situação", disse o porta-voz da reunião do Conselho de Ministros, Ussene Isse.
Acrescentou, em declarações aos jornalistas no final da reunião, que até 07 de junho foram repatriados 714 moçambicanos da África do Sul, encaminhados para as províncias de origem, como Gaza (392), Maputo (161) ou Inhambane (119).
Moçambique possui cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul, sobretudo trabalhadores nas áreas das minas e da agricultura.
Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram até 30 de junho para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias.
Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia.